segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Minha lição de perdão

Nesta época, é quase impossível não ficar mais reflexivo e relembrar os melhores e piores momentos do ano, além de fazer planos para o próximo ciclo que vai começar em breve. Os dois grandes compromissos que assumi comigo mesma para 2014 foram redescobrir minha espiritualidade e aprender a perdoar. É hora de fazer um balanço.

Posso dizer que avancei bastante em ambos, mas ainda há um longo caminho pela frente. Especialmente nessa história do perdão. É engraçado esse prazo de um ano que colocamos para nós mesmos... Não conseguimos fazer uma coisa por décadas e, de uma hora para a outra, esperamos conseguir desligar um botão e fazer tudo ser diferente.

De qualquer forma, nessa trajetória que comecei para - quem sabe um dia - aprender a perdoar, já consigo perceber uma coisa. Se você não for Buda, dificilmente conseguirá perdoar alguém de verdade se nunca tiver ficado do outro lado; se nunca tiver ficado à espera de um perdão.

E quando digo perdão, me refiro a algo que vai além de perdoar o outro - algo que, por sinal, já é difícil. Perdoar significa não só acabar com a mágoa e o rancor que você sente do outro, como também simplesmente tirar esse sentimento de peso que fica dentro de você. Então, quando você finalmente acha que chegou lá, descobre que ainda tem um caminho ainda mais difícil pela frente.

Por mais que amemos a pessoa, por mais que seja óbvio na balança que todas as coisas boas que ela fez para a gente superam de longe aqueles momentos de deslize, nosso orgulho não nos permite simplesmente deixar isso para trás. O apego não é só com as coisas de que gostamos... também somos apegados aos sentimentos negativos. Somos bizarros!

E, pensando bem, quando alguém te magoa e você decide perdoar - afinal, você pode decidir não perdoar também e foda-se -, você tem duas escolhas: começar tudo do zero ou viver um eterno sentimento de superioridade em relação a quem te magoou. Afinal, você é uma pessoa incrível e evoluída: conseguiu passar por cima daquilo. Você foi condescendente com aquela pessoa e, como poucos, reconhece que todo mundo erra. Você é foda!

E foda você continuará sendo até o momento em que quem erra é você. O momento em que você assume sua natureza humana de fazer merda, ceder aos impulsos, agir com base em um contexto que, passado o tempo, não faz mais o menor sentido. Mas na época fazia. E você sabe bem como fazia.

O problema é que o contexto em que você se encontrava, por pior que seja, não justifica a mágoa que você provocou na outra pessoa. Na pessoa que você amava, na pessoa que confiava em você, na pessoa que deixou de fazer muitas merdas - em contextos tão ou mais tensos quanto aquele em que você fez a sua - em respeito a você. E aí?

E aí que você não pode fazer nada, além de dizer que sente muito. E esperar. Esperar pelo perdão, esperar pelo não perdão.

Esperar pelo perdão e por tudo voltar como era antes. Esperar pelo perdão, mas sem tudo voltar como antes. A merda é que, a partir deste momento, o que será não depende mais de você. E esse sentimento de incapacidade decorrente de algo causado por você mesmo, independente da justificativa, corrói o fundo da alma. A culpa é implacável.

Mas, em vez de se jogar da janela ou passar a vida inteira se corroendo, existe uma coisa que você pode fazer. Que todos nós podemos fazer. Perdoar, de verdade, as pessoas que merecem e estão esperando o nosso perdão. Não podemos fazer nada para conseguir o perdão de quem queremos, mas podemos fazer tudo por quem está esperando o nosso. Ironias da vida.

Agora vai de você... a escolha é sua. A escolha é minha. Feliz 2015!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A merda do talvez

Sou o tipo de pessoa que trabalha com sim ou não. "Ou" exclusivo. E o problema nisso não está em só haver duas alternativas... por até haver mais. Sou boa em fazer prova. Na hora do vamo vê, tenho sangue frio para afastar o nervosismo e a ansiedade por algumas horas e pensar racionalmente em cada uma das quatro ou cinco alternativas para tentar encontrar a certa.

Assim, às vezes eu acerto, às vezes eu erro e lido bem com as duas situações. Celebro as vitórias, sofro com as derrotas, mas a vida segue. Antes de passar na USP, eu levei três nãos. Agora quero entrar no Banco Central e já levei o primeiro. Sem problemas, daqui a alguns anos, terei uma nova chance e vou estar pronta para ela. Seja sim ou um novo não a sua resposta.

Você, que está lendo este texto, deve estar me achando incrível. Forte, bem resolvida. E eu realmente seria... não fosse minha dificuldade em lidar com o "talvez". O tanto que eu lido bem em receber um "não" é diretamente proporcional ao tanto que eu lido mal em receber um "talvez". Que ironia!

Mas vamos combinar uma coisa? Que merda é essa história de "talvez", hein? Na minha cabeça, todas as coisas no mundo são muito simples: ou são, ou não são. E ponto! Escolhe, mano. E me dá a resposta logo para eu digerir ela logo e seguir em frente logo para a próxima pergunta... que virá logo. Queria aproveitar a oportunidade para mandar um beijo para a Ansiedade, minha grande companheira.

A grande merda desta vida é que, para meu desespero, ela dificilmente é preto no branco. Ela está cheia, cheia de tonalidades cinzas, de perguntas sem resposta. A vida está cheia de talvezes. Formidável!

E como é que eu lido com isso? Batendo a cabeça na parede, é claro! Eu quero morrer, matar, surtar, sumir. Gente, pra que tanta dificuldade em tomar uma decisão? Eu tenho zero dificuldade em tomar decisão. Penso por algum tempo nos prós, nos contras e pronto, está feito! Respondo se é sim ou se é não.

Se tiver sido a melhor escolha, ótimo. Se não tiver, vou me arrepender e tentar consertar. E, se eu não conseguir consertar, paciência! Não era para ser, dei o meu melhor. Beijos! Simples, não é?

Não, não é. Minha grande lição deste ano - que eu, teimosa, não me permito aprender de jeito nenhum - cada vez mais é esfregada na minha cara:

"Jenifer, minha querida, a vida não é um gabarito. As pessoas e os sentimentos são bem mais complexos do que isso. Nem sempre existe uma única resposta para uma questão. Às vezes, o certo e o errado andam juntos...

Você não está amando conhecer o taoísmo? Então, yin-yang! O mundo, sim, é dual, como você tanto gosta de enxergar. O problema é que você está meio daltônica e não consegue enxergar as misturas dessas duas cores, capazes de produzir tonalidades infinitas."


Então tá... já entendi que vou precisar revisar esse capítulo de novo. A minha sorte é que eu gosto de estudar...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Entrelinhas

Estou com muita vontade de...
Mas não posso fazer isso porque...

Como é difícil...
Ninguém me disse que...

Eu sempre quis...
Mas nunca imaginei que...

Dizem que viver é assim mesmo, mas na hora do vamo vê...
Talvez o tempo ajude a...

Mas talvez não.
Talvez eu tenha que aprender que...

Um recurso que facilita muito a vida é aprender a ler nas entrelinhas. Boa sorte!



Oração Ao Tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Portanto, peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Boa noite!

E aí um dia você está deitada no sofá da sua casa, tomando uma cerveja depois de um dia comprido, cheio de estresse e correria. Este não é o dia mais feliz da sua vida. Nem de longe. Neste mesmo dia, você se cobrou, se culpou, ficou ansiosa, chegou atrasada, não fez tudo o que se propôs a fazer (novidade...) e até almoçou Mc Donald's, recuperando magicamente todas as calorias que perdeu nas três horas de dança do dia anterior. Parabéns!

Mas quando olha para os lados, no meio das caixas da mudança que já faz um mês e você ainda não conseguiu arrumar, toda aquela bagunça faz sentido. Não só a bagunça da sala; a bagunça da vida, da cabeça e do coração fazem mais sentido do que nunca. Você ainda não faz a menor ideia do que vai ser da sua vida. Você não sabe se está no caminho certo, se fez todas as escolhas certas (certamente que não). Mas, bizarramente, é tomada por uma incrível sensação de paz...

O gato está te irritando porque fica mordendo o seu cabelo (aliás, falando em cabelo, vê se consegue acordar mais cedo amanhã porque já passou da hora de lavá-lo). O relógio já mostra que a hora ideal de dormir já passou faz tempo. A cabeça está cheia porque amanhã vai começar mais um dos 34734673 frilas que você faz para tentar compensar a zona que a nova vida de baladas fez no seu orçamento deste ano (é, você vai ter que acordar cedo de qualquer jeito... se você tivesse acreditado no seu mapa astral, você teria segurado um pouco a grana que gastou no fervo. Aliás, você, que trabalha escrevendo sobre finanças pessoais poderia ter como meta de 2015 organizar melhor as suas finanças. Fica a dica!).

Mais cedo, você ouviu da médica dermatologista (que está tratando a sua alergia decorrente do estresse e do remédio da sua úlcera, também decorrente do estresse) que a vida em São Paulo faz isso com a gente. Você sabe bem o que a vida em São Paulo faz com a gente, não é mesmo? Você já fugiu dela por um tempo, inclusive... mas acabou descobrindo que você adora essa loucura e essa hiperatividade. Talvez porque você seja tão louca e hiperativa quanto a cidade em que você mora.

A médica recomendou que você reserve todos os dias pelo menos meia-hora para você. Só para você. Mas que raio de conselho é esse? Não que a médica esteja errada (ela está certíssima... tem dias em que você corre tanto que não reserva nem cinco minutos só para você: toma banho pensando no horário, come pensando no que ficou para trás, dorme assistindo seu seriado favorito), mas esse tipo de recomendação só mostra a merda de vida que a gente está levando hoje em dia. É isso mesmo o que você quer para a sua vida?

E no meio de tanta coisa errada, tanta coisa sem sentido, hoje você vai dormir só pensando em uma coisa: em como está feliz por sua vida ter virado uma zona e recuperado todo o sentido.

Agora minha casa nova tem flores. :) Viu, Ju?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

R.A.I.V.A.

Raiva e frustração são exatamente a mesma coisa; a diferença está na gradação. A frustração vem sempre primeiro e a raiva, não necessariamente depois. Mas se ela decide vir, aí sim, é necessariamente depois. O um depende do outro, mas o outro não depende do um. Já ouviu uma história assim?

Tenho certeza de que já e ela começa sempre do mesmo jeito: com as minhas, as suas, as deles, as delas... as nossas queridas ex-pec-ta-ti-vas! Sempre maiores, mais rígidas e muito mais implacáveis do que nunca, elas estão sempre lá. Mas apesar de existirem sempre, praticamente nunca são atendidas. E aí? Como é que fica?

Fica você com a frustração. Os pessimistas costumam dizer que viver é frustrar-se todo dia. Você se frustra todos os dias? Quase todos os dias? Pelo menos, isso é sinal de que você está vivendo... (é, eu não sou pessimista :)

A relação da frustração com a raiva é fácil de perceber. Faça o caminho contrário. Qual foi a última vez que você sentiu raiva? Tente lembrar a situação (de trás pra frente, certo?): primeiro o desfecho, depois a sua reação, depois o seu sentimento, depois o comportamento do outro que causou esse sentimento e primeiro... bingo! Você se frustrou!

Você tinha uma expectativa: queria que o ônibus passasse, que o salário aumentasse, que o 3G funcionasse, que o gatinho te ligasse, que seu chefe enxergasse, que seu time ganhasse... queria que hoje não chovesse (ou chovesse, olha a Cantareira, né?), que você emagrecesse, que sua amiga percebesse, que seu cabelo crescesse... queria que seu filho dormisse, que sua mulher sumisse e que hoje você saísse, em vez de passar mais uma noite, cansada, sentada na frente ao computador.

Tudo isso dá raiva. Toda frustração dá raiva e não existe raiva sem frustração. E desafio você a me contrariar nessa que é uma das poucas certezas absolutas da vida.

Ah, e esqueci do principal... para combater a raiva? Se para chegar nela, você tem sempre que passar pela frustração, bora atacar o mal pela raiz: menos cobrança e mais amor. Por você! S2

domingo, 12 de outubro de 2014

Histórias de uma noite qualquer... preconceito, intolerância, violência


Porta da balada. Rua Augusta, São Paulo, 2h da madrugada de sábado. Estou com amigos e amigos de amigos. Gente do bem, inspiradora, divertida, consciente, politizada. Conversamos sobre em qual balada vamos entrar e também em quem vamos votar no segundo turno. Discordamos, concordamos, rimos. Aproveitamos a brisa da noite gostosa. Estamos em paz.

Na fila, um carinha bem bonitinho olha para mim. Olho sem querer de volta. Ele chega perto e cumprimenta. Cumprimento de volta. Começamos a conversar. Uma das primeiras falas dele:

--- E aí? Qual é a dessa balada?
--- É legal. Tem gente interessante e música boa.
--- Mas não tem muito gay e lésbica não, né?

Arregalo o olho:

--- Por quê? Qual o problema de ter?
--- Eu não gosto de balada assim.

É mais forte do que eu. Esse tipo de pensamento me broxa. Chamei ele de coxinha e preconceituoso. Ele achou graça na menina invocadinha, pensou mesmo que estava arrasando. Não achei a menor graça nele.

...

Desistimos de entrar na balada e subimos a Augusta em busca de um bar para sentar e conversar. Encontramos um boteco gostoso, na Frei Caneca com a Peixoto. Mesa na rua, bebida barata. A madrugada estava uma delícia, fresca; a rua lotada de gente. Sentamos, pedimos nossa breja e ficamos falando sobre nós e o que achávamos do mundo.

Depois de mais ou menos uma hora conversando, fomos surpreendidos por um cara correndo. Três atrás dele. Ele gritava, desesperado: "Não fui eu, não fiz nada". Os três não davam ouvidos e corriam atrás dele com garrafas de vidro nas mãos. Covardia, violência, ignorância. Tráfico de drogas para os playboyzinhos classe média alta. Nós.

Mais alguns minutos e um morador de rua nos abordou pedindo dinheiro. Não tínhamos. Ele nos ameaçou de morte. Desigualdade social. Má distribuição de renda. Nós.

Um pouco incomodados, entramos para dentro do bar para acabar a breja e ir embora. A vibe da rua gostosa mudou de uma hora para a outra. Ficou pesada, assustadora. Mais alguns minutos e ouvimos uma confusão lá fora. Mais uma vez, a covardia... aparentemente um grupo de muitas pessoas tentou intimidar alguém. Um barulho de garrafa quebrando... violência gratuita. Intolêrância. Nós.

Alguns gays entraram dentro do bar... um deles queria saber onde estava o marido dele que, aparentemente, havia sido acertado com uma garrafa de vidro. Os amigos não queriam deixá-lo sair (ele poderia apanhar também). Acusaram uma amiga da nossa turma de homofóbica e disseram que ela teria mandado um grupo de heteros bater no tal marido pelo simples fato de ele ser gay. Ela estava com a gente, levou um casal de amigos gays para o rolê. Ela não é homofóbica. Teve que sair às pressas para não apanhar também.

...

O cara bonitinho que, além de não gostar de ambientes gays, acha legal xavecar uma menina dizendo isso. A covardia de um grupo querer bater em uma pessoa sozinha. A agressão livre pelo simples fato de um homem gostar de dar o cu e chupar um pau. A confusão que levou um grupo gay a achar que uma garota era homofóbica sem ser. A miséria debaixo do nosso nariz. O ódio que paira na noite jovem, regado por drogas e preconceitos.

E não só estamos em São Paulo, a quinta maior cidade do mundo, como em uma das regiões mais receptivas para a diversidade social.

O que está acontecendo com o mundo? O que vai ser de nós?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

É fato: quem nunca se arrepende não vive intensamente

Na vida, temos sempre duas escolhas: viver em função dos outros ou da gente mesmo. Como eu, você já deve ter percebido que a felicidade está mais perto daqueles que escolhem a segunda opção, mas, ainda que você pertença, na maior parte do tempo, ao grupo dos que que escolheram viver uma vida própria, seus problemas, infelizmente, não acabam por aí.

Viver por si só significa necessariamente viver de forma mais intensa. À medida que a opinião dos outros vai perdendo um pouco da importância, nos sentimos mais livres para arriscar, ousar e deixar de pensar fora da caixa para começar a viver fora dela. Intensidade é efeito colateral de ligar o foda-se.


Mas, humanos que somos, por mais desprendidos e evoluídos, hora ou outra nossa boa e velha consciência acaba pesando. Efeito nítido de uma cultura opressora da individualidade em nome do padrão, da moral e dos bons costumes. Na prática, isso significa que continuamos nos arrependendo de coisas que fizemos.

E que sentimento mala é o arrependimento, né? Pega bem lá no fundo: nos sentimos envergonhados, fracos e ingênuos. Nos sentimos burros. "De novo eu mandei mensagem?", "De novo eu criei esperança?", "De novo pensei que tinha conseguido mudar?", "De novo eu achei que ía ser diferente?". De novo e de novo e de novo...

Pode ver: normalmente nos arrependemos de algo que já fizemos anteriormente e vimos que não deu certo. Ou, pelo menos, que não trouxe como resultado as nossas expectativas, sempre tão elevadas. Sempre tão enganadas.

Mas o fato é que o arrependimento, na maior parte das vezes, nada mais é do que o resultado de um senso autocrítico extremamente elevado que usamos para avaliar nossas ações, como se fosse a própria sociedade nos julgando. Essa é a grande merda da influência social: ela atinge seu ápice quando sai da pessoa do outro e passa a habitar a pessoa aqui de dentro. Nos cobramos demais.


Arrisco dizer que o arrependimento acontece todas as vezes em que fomos o mais genuínos e fiéis à nossa essência. Todas as vezes em que nada mais importou a não ser a nossa vontade de fazer uma coisa. Todas as vezes em que fomos nós mesmos mesmo. Profundamente. Instintivamente. Lindamente.

Se você já se arrependeu de algo que fez, pare de lamentar e fique muito feliz. Significa que você conseguiu de verdade ligar o tão sonhado foda-se, ainda que por alguns momentos. Desejo mais e mais arrependimentos na minha vida e acho que você deveria fazer o mesmo. Boa sorte para nós!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Quando tudo congela por alguns minutos

Tem horas em que a gente dá pane. Não estou falando dos graves, que também acontecem, mas dos leves que também nos paralisam, mas apenas por alguns minutos. O mais intrigante é que não dá para saber direito qual a causa e às vezes nem conseguimos achar uma explicação.

As coisas continuam iguais, a vida continua igual. Nada de novo, nem de bom e nem de ruim, aconteceu (No news? Good news!). Mas, ainda assim, a gente simplesmente não consegue mais continuar o que está fazendo e começa a pensar. Sobre a vida, sobre o passado, sobre o futuro, mas principalmente sobre o hoje.


É como se alguém desligasse o interruptor do rolo compressor da vida. Perdemos vontade de fazer as coisas cotidianas e bate uma preguiça da vida. Na cabeça, pipocam questionamentos sobre tudo, exatamente tudo, o que temos feito e nos preparado para fazer. O sentido das coisas sai do lugar e ficamos confusos. Será que estamos mesmo no caminho certo?

E, de repente, da mesma forma que a onda veio, ela vai embora. O tempo descongela de novo e simplesmente voltamos às tarefas do dia a dia, como se nada tivesse acontecido. Mas, se você parar para olhar lá no fundo, verá que a pane momentânea deixou alguma marca. Aquelas reflexões ainda estão aí dentro. Você só parou de olhar.

Talvez esse tipo de coisa aconteça só para a gente não esquecer que de vez enquando precisamos dar uma boa remexida nelas.

Mais tarde, quando eu chegar em casa. Prometo!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Meus 20 pedidos de aniversário

Meu dia chegou e já acabou. Passou rapidinho, como todos os dias gostosos desta vida. Fiquei junto de pessoas queridas, que se mostraram próximas no mundo real, no virtual e no do telefone (lembra quando a gente ainda dava parabéns para as pessoas por telefone? Felizmente, ainda recebi alguns neste ano... :).

Amanhã tem mais comemoração... com mais gente amada. Me sinto amada, me sinto querida. Me sinto privilegiada de ter sido abençoada com tanta gente que gosta de mim neste mundo. Obrigada!

Meus últimos textos não têm sido lá muito felizes, é verdade. A vida não andou sendo muito boazinha comigo nos últimos tempos. Mas fico muito contente em dizer que desde que virou o dia do meu aniversário, sinto que bons ventos estão se aproximando. Sinto paz. E, aproveitando essa brisa boa, quero listar aqui meus pedidos para meu ano novo que se inicia. Talvez inspire os pedidos de vocês também...


1. Quero paz, serenidade e tranquilidade. Posso pedir uma pausa nas turbulências? Nem na praia eu gosto de onda; prefiro marola. Ei, vida, me deixa curtir uma marolinha?

2. Quero pessoas queridas do meu lado. Vocês prometem que não vão sair daí?

3. Quero me sentir bem, plena e realizada sozinha, sem ter que colocar minha felicidade nas mãos de ninguém. Às vezes tenho conseguido e às vezes não, mas fico feliz de ter cada vez mais momentos desse tipo. Que eles se multipliquem!

4. Quero já ter largado meu remédio até meu próximo aniversário. Tchau, crise de ansiedade, até nunca mais!

5. Quero continuar dançando todo fim de semana. Eu adoro dançar.


6. Quero fazer pelo menos uma viagem internacional e muitas por esse Brazilzão lindo até meu próximo aniver. De preferência, quero viajar sozinha.

7. Quero voltar a jogar futebol. Sou craque! Hahahahahaha. Já comprei uma chuteira nova. Rosa e linda! Terça que vem começo a treinar.

8. Nunca mais quero deixar de ter em casa um bichinho de estimação que sobe na minha cama (Jonatan, eu amo o Shants, mas você pode levá-lo quando quiser... mesmo! Esse era o combinado. Mas no mesmo dia em que ele voltar para sua casa, vou adotar outro gato para mim).

9. Quero inspirar as pessoas. E encontrar cada vez mais pessoas que me inspirem também de volta.

10. Quero escrever um livro sobre minha nova vida de solteira. Vai ser divertido.

11. Quero tocar mais violão para meus amigos. Para a gente ficar cantando alto juntos e dançando na sala. Igual hoje. :)))


12. Quero voltar a fazer o que eu gosto no trabalho. E ganhar bem para fazer o que gosto. E ser reconhecida fazendo o que gosto.

13. Quero fazer festa de aniversário todo o ano. Igual vai rolar amanhã. Que medo bobo esse que eu tenho de achar que ninguém vai vir! (Vocês vêm, né? Hahahaha)

14. Quero que minha família querida (papai, mamãe, Jony e Nick) fique bem e em paz. Eles merecem. Todos.

15. Quero que o fique bem e em paz. Ele merece. Muito!

16. Quero me cobrar menos e me aceitar mais. Só assim, vou conseguir cobrar menos das pessoas e aceitá-las mais.


17. Quero me importar menos com o que os outros pensam e respeitar mais o que eu sinto. Isso não é egoísmo, é inteligência. (Você por acaso lê o que você escreve, Jenifer? Pois deveria...)

18. Quero ter sempre o sangue frio necessário para ser eu mesma. Mesmo que isso implique continuar a perder coisas e pessoas. Nem que isso implique perder tudo.

19. Quero ser livre. Falar alto, falar palavrão, gargalhar no meio do bar, cantar sozinha na rua, andar sem medo. Quero gritar minhas opiniões, inclusive as fortes e polêmicas, pelos quatro ventos e desagradar e agradar pessoas com isso.

20. Nunca quero perder a coragem de jogar tudo para cima. Mudar tudo e me reinventar do zero. Sem medo, sem neura. Quero recomeços sem fim. :)


terça-feira, 1 de julho de 2014

Inconsistências do amor

Um dia eu vivi o amor
Não tinha nem ideia, mas era uma pessoa iluminada
Muita gente passa uma vida inteira sem imaginar o que é o amor
E, para mim, ele era só mais uma página que um dia ía ser virada

Dizem que o amor não se divide, só multiplica
Mas às vezes tenho dúvida se é possível amar o outro E a si mesmo
Desconfio que o amor explique aquele seu sonho que fica
Ao passo que a liberdade pode levar a uma vida a esmo

O amor é um raro encontro
Em um mundo que só afasta
Tentando acordar nossos monstros
Enquanto a vida passa

O amor anda sempre junto da tristeza
Anda sempre junto da frustração
Mas também anda sempre junto da certeza
De que, apesar de tudo, nada dele é em vão

O amor é só um dos caminhos
Entre tantos, para sermos pessoas menos piores
Agora que ele passou, só mesmo algumas garrafas de vinho
Para me inspirar a buscar dias melhores

J

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Caminhos, encontros, desencontros... possibilidades

Não tenho me sentido muito inspirada nos últimos dias. É como se a fonte tivesse secado. Não tenho tido mais inspiração nem ao chegar em casa bêbada de madrugada, desiludida com a vida, um momento naturalmente criativo e sem amarras. Parecia sério...

Mas andei pensando e talvez não seja tão sério assim. A inspiração faz parte da vida e como tudo o que existe nela, vem e vai. Para o meu desespero. Que inferno esse treco de as coisas não durarem para sempre. Tudo bem que eu fico angustiada e com taquicardia só de pensar em alguma coisa durando para sempre na vida, mas preciso assumir de uma vez por todas:

EU NÃO SEI LIDAR COM O EFÊMERO! SOU UMA PORRA DE UMA PESSOA ANSIOSA QUE NÃO TEM PACIÊNCIA PARA NADA.

Eu deveria me sentir mais leve depois de gritar isso mentalmente? Só para saber... Alguém aí por acaso sabe lidar bem com a linda ideia do Vinicius de que as coisas, as pessoas e sentimentos têm de ser eternas enquanto duram? Duvido. Duvido forte.

Converse com qualquer pessoa ao seu redor. Qualquer uma. Um amigo, familiar... com o atendente da padaria que fica bufando todo o dia que você vai passar seu cartão e coloca do lado errado porque está sempre distraída nas histórias que vai contando dentro do mundo mágico que você criou dentro da sua cabeça (sou dessas!).

Gente, tá todo mundo na bad, perdido, desiludido, ferrado, triste. Pense em uma pessoa, uma só, no seu círculo que esteja feliz. Mas feliz de verdade, cantando alto sem perceber pela rua e andando com saltinhos (também sou dessas quando me sinto feliz).

Essa tristeza generalizada, para mim, tem uma explicação: nunca tivemos tantas opções neste mundo. A gente pode tudo e pode nada. Nunca tivemos tanto poder de decisão e muito menos tanto poder de jogar tudo para o alto como temos hoje. Somos livres. E mais perdidos e confusos do que nunca.

A liberdade dói. A liberdade exige. A liberdade suga. Não ter roteiros pré-definidos é o que há de mais libertador e desesperador nesta vida cheia de possibilidades.

Às vezes fico com vontade de sentar na beira da calçada e ficar olhando o movimento, as pessoas e imaginando o que elas estão vivendo naquele momento. O que estão pensando, fazendo, imaginando. Do que estão se privando, que sentimentos estão negando, que coragem está faltando.

E aí, no fantástico mundo de Jenifer, eu chego perto delas e digo: querido/querida, fique de boa! A vida não é nada além de uma série de encontros e desencontros. Daria um sorriso maroto, viraria as costas e iria embora em paz, com a certeza de que tinha mudado o caminho daquela pessoa para sempre.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Fazer o que sentimos que é certo

Tem gente que diz que fazer o que sentimos que é certo é sempre o caminho mais fácil a se seguir. Não é. Demanda desprender-se de tudo, confiar em si mesmo e abrir mão de coisas, sentimentos, valores e pessoas que até então eram tudo para a gente.

Fazer o que sentimos que é certo significa ouvir primeiro o coração, mas sem deixar de lado a frieza e clareza com que nossa mente enxerga a realidade. Significa seguir nossa intuição, nossos impulsos mais nativos, nossas certezas interiores que, de tão doídas, ficam escondidas lá no fundo para tentar enganar nossa sensatez e talvez passar despercebidas.

E às vezes elas até conseguem ficar um tempo sem serem notadas. Mas a verdade é que nossas certezas interiores, nossa essência, não podem ser reprimidas para sempre. Viemos para este mundo para sermos nós mesmos em plenitude e por mais que adiemos o processo de assumir quem somos, uma hora ou outra a verdade vem à tona. Ainda bem!

Fazer o que sentimos que é certo nos tira o sono, mas nos faz passar a noite acordados com a consciência tranquila e a paz de quem está fazendo o que tem de fazer. É verdade que você acaba chegando exausto no outro dia, mas essa exaustão é emocional e às vezes física, mas nunca espiritual. Fazer o que sentimos que é certo é nos desconectar do mundo como o conhecemos e nos permitir viver o que ainda não sabemos.

Fazer o que sentimos que é certo nos faz amadurecer e explorar todo o nosso potencial humano. Faz a gente sair do lugar e andar para frente. Faz a gente ser mais tolerante, mais flexível e menos enraizado. Fazer o que sentimos que é certo é encarar as coisas com a cara e coragem. É ser ousado e confiante. É ser livre e fiel a si mesmo. É estar aberto para o que vem. É preferir uma verdade dura e real a uma mentira agradável e insossa. Fazer o que sentimos que é certo é viver o balanço da vida com intensidade.

Fazer o que sentimos que é certo é só para os fortes.

domingo, 22 de junho de 2014

Quem tem medo da tristeza? Quem tem medo da solidão?

Mais do que uma questão de ter ou não alguém do seu lado, a solidão é um estado de espírito. E isso é fácil de provar. Quantas vezes você esteve no meio de um monte de gente, mas não se sentiu acolhido, aceito, pertencente àquele grupo? E quantas vezes você esteve sozinho no quarto antes de dormir ou diante de uma paisagem incrível e se sentiu a pessoa mais completa do mundo?

Estar só normalmente é visto com bastante receio pelas pessoas. Dá a ideia de não se encaixar, não ser flexível e não gostar de se relacionar. Acho que isso é uma grande besteira. Estar só é uma necessidade básica do ser humano. Precisamos de alguns momentos dedicados somente a nós mesmos para que possamos nos enxergar, avaliar... para que possamos nos curtir.

Isso tem muito a ver com aquela história de que somente são felizes as pessoas que se bastam. A nossa felicidade não pode ser depositada em outra pessoa. Isso não é justo, não é certo... na verdade, isso é agir de forma burra (salve, Caetano!). Alegrias, expectativas e realizações devem ser coisas particulares, só nossas. Lembrando que coisas particulares podem muito bem ser compartilhadas, mas nunca cedidas (porque daí, deixariam de ser particulares ;).

A solidão às vezes traz agonia e, não raro, desespero. Mas agonia e desespero, em dosagens equilibradas, também não são de todo o mal. Temos a mania insuportável de achar que a vida tem que ser o tempo todo recheada de coisas e sentimentos bons, quando isso, sabemos bem, é insustentável! Os altos e baixos fazem parte do pacote da nossa estrada e precisamos, de uma vez por todas, começar a encarar de maneira normal os sentimentos ruins, duros e, principalmente, a instabilidade. Precisamos aceitar, assumir e viver também a tristeza.

Quem tem medo da tristeza? Quem tem medo da solidão?

Arrisco dizer que é quem acha que nunca mais será feliz ou nunca mais terá alguém. Como não é o meu caso (e nem o seu!), fico aqui triste, mas em paz com a minha solidão.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Há sentido quando é sem sentido

Olho para o lado e rio. Olho para cima, vejo a lua cheia e o céu escuro e respiro fundo. Me sinto feliz. A música alta entra pelos ouvidos e bate atrás da cabeça. Balanço a cabeça, balanço os ombros e balanço o corpo para lá e para cá. Quando abro os olhos, miro, predadora, e busco o que eu quero. Não está lá.


Quando o que você busca não está lá, você se distrai com o que está. Sem sentido. Quando a vida perde o sentido e você tenta encontrá-lo de novo, diverte-se com o que não tem sentido nesse meio tempo. Pessoas sem sentido, situações sem sentido, ambientes sem sentido... às vezes, até toma ações sem sentido.

Estar em meio a um punhado de gente sem sentido faz a gente sentir vazio. Sentir vazio é bom, mas tem prazo de validade. Ser completo é plenitude, mas a plenitude pesa. Feliz daquele que equilibra momentos de vazio com momentos de plenitude.

Estou farta da falsa plenitude. Quero sentir mais vazios verdadeiros, até que eu recupere os sentidos reais. Mas até lá, vou rir alto olhando para os lados e para cima, respirando fundo, admirando a lua cheia e me sentindo feliz com a superficialidade.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Frustrações e recomeços

A frustração existe porque existe expectativa; a expectativa existe porque o hoje às vezes não é fácil. O hoje às vezes não é fácil porque se fosse, a gente não esperaria o amanhã. Se a gente não esperasse o amanhã, não haveria motivo para continuar. Se não houvesse motivo para continuar, não existiriam caminhos a percorrer. Se não existissem caminhos a percorrer, não existiriam escolhas. Se não existissem escolhas, haveria destino. Se houvesse destino, não haveria protagonismo. Se não houvesse protagonismo, a tristeza prevaleceria. Se a tristeza prevalecesse, a vida seria só realidade. Se a vida fosse só realidade, não existiria sonho. Se sonho não existisse, nada teria graça. Se nada tivesse graça, não existiria o amor. Se não existisse o amor, não haveria encanto e muito menos lua cheia. Se não houvesse encanto e nem mesmo lua cheia, não existiria frio na barriga. Se não houvesse frio na barriga, não haveria surpresa. Se não houvesse surpresa, viveríamos na mesmice. Se vivêssemos na mesmice, eu nunca teria escrito este texto. Se eu nunca tivesse escrito este texto, este texto não existiria. Se este texto não existisse, eu não teria ficado esperando e olhando para o que não viria. Se eu não tivesse ficando esperando e olhando para o que não viria, eu não teria sentimentos. Se eu não tivesse sentimentos, eu não teria intuição. Se eu não tivesse intuição, não saberia como agir. Se eu não soubesse como agir, então, viria a frustração. Se a frustração existisse, esta história recomeçaria do começo.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sobre coisas ruins para pessoas boas, paz de espírito e agonias

Tenho uma questão existencial básica que me acompanha já há algum tempo: por que coisas ruins acontecem para pessoas boas? Talvez esse pensamento venha de uma criação social muito baseada em esforço-recompensa, mas pensando logicamente esse fato não faz sentido algum na minha cabeça. E na sua?

Ando um pouco agoniada com os rumos que as coisas andam tomando. Não estou resistente, estou aberta e tenho aceitado tudo o que a vida tem enviado. E olha que ela não tem pegado muito leve. E toda vez que eu, por um segundo, caio na besteira de pensar que aquela situação não pode piorar, adivinhem?

Refletindo sobre isso, vejo duas lições a aprender (nas adversidades, aprender é o que resta para quem não cogita a opção de se jogar da janela. Fica a dica!):

Valorizar o que já temos e praticar o desapego.


Me intriga muito a facilidade com que nos acostumamos com as coisas boas. Parece que é item básico, pré-requisito, já nascemos com. Por que vamos perder tempo nos preocupando em curtir e aproveitar o que já conquistamos? Afinal, temos mais o que fazer e outros objetivos a alcançar, certo? Que graça tem a felicidade? Vamos passar a vida ansiosos para encher os consultórios de psicanálise. Viva a vida moderna!

Sobre o desapego, a história já é um pouco mais complicada. Para quem, como eu, não é tão ligada nas coisas materiais (claro que uma viagenzinha pela Europa não seria mal, nem um casaco novo e muito menos um celular novo), o apego acaba se apresentando mais forte em coisas subjetivas que são muito, mas muuuuuuito mais difíceis de se desvincular.

Situações confortáveis por exemplo. Momentos superficiais de alegria. Ou sentimentos medíocres (nem intensos, nem agonizantes. Mornos apenas). Pessoas sem sentido. Pessoas com muito sentido. Pessoas com algum sentido. É... para mim, o pior é me desapegar das pessoas. Como faz?


Ah!! Quase esqueci da paz de espírito. Como é difícil deixar a paz de espírito ir embora. Quero agarrá-la com todas as forças, segurá-la de qualquer jeito, fazer o que for possível para ela não ir. Por favor?

O foda é que perdendo tempo nesse apego besta, acabo gastando toda minha energia tentando me prender a algo que já não existe mais. Quando na verdade, meus esforços deveriam estar centrados em observar o que vem e aprender novas formas de reconquistá-la. Viver também é estratégia!

A paz de espírito não vai embora. Ela só se transforma. E quem quiser viver feliz para sempre com ela, vai ter que se transformar também. De novo!!!!!!!!

E de novo... e de novo... e de novo... Bora lá?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Liberdade lá no fundo e de verdade

Sentir-se livre significa sentir-se liberta das amarras que nós mesmos colocamos para nós mesmos. E ponto final. Nada pode ser ruim, nada pode ser pior e tudo é contornável. Se você tem a si mesmo e confia em si mesmo, sabe que, no fundo, tudo vai ficar bem e dar certo no final. Dar certo significa aceitar que está tudo sempre certo, então... não tem como nada dar errado. Simples assim. É lógica.


Sentir-se livre é não se sentir presa a pessoas, situações, trabalhos, confortos e obrigações. Sentir-se livre é ter a certeza lá no fundo de que você vai ser feliz em qualquer lugar ou situação em que estiver. Por quê? Porque a sua felicidade depende só de você e de mais ninguém e de mais nada.

Queria que todo mundo no mundo estivesse se sentindo como eu neste momento. Na verdade, queria passar a vida inteira me sentindo como estou neste momento. Mas, pensando bem, que graça teria essa vida sem graça se eu soubesse que, independente de qualquer coisa, tudo iria dar certo no final? Cadê a ansiedade, a incerteza, a insegurança? São esses os nossos combustíveis para seguir em frente.

Em resumo: sinto que posso tudo e qualquer coisa. É só querer. E você também. E todos nós. Mas ainda bem que essa sensação só aparece de quando em quando... senão, a gente não iria acreditar em mais nada e ficar só esperando as coisas rolarem. Porque quando a gente desencana e deixa as coisas rolarem, tudo acontece como deveria acontecer. Sem cobranças, sem expectativas e sem frustrações.

Queria mesmo me sentir assim para sempre... eu sou incrível, você é incrível. Ser humano é incrível!


Esta foto mostra um dos dias mais incríveis que eu já vivi na minha vida. Boston, sua linda, tô morrendo de saudades. Quero te ver em breve. :)

domingo, 1 de junho de 2014

Só os loucos sabem

Todo mundo tem tanto medo da loucura. E, realmente, a ideia de perder o controle sobre si mesmo é terrivelmente assustadora. Mas você já parou para pensar o que é ter controle sobre si mesmo? Você tem mesmo controle sobre si mesmo?


Levante a mão quem nunca bebeu demais, fumou demais, cheirou demais, chorou demais, amou demais, ficou puto de mais, eufórico demais ou ansioso demais e acabou fazendo algo de que se arrependeu depois. Se você se arrependeu (não deveria!), é justamente porque perdeu o controle sobre si mesmo por alguns segundos, minutos, horas. Isso é loucura? Ou é vivência?

A vida em sociedade nos oferece um padrão, um caminho, um eixo, que deve ser seguido a todo custo. Quem não consegue, não se enquadra ou não aceita está fora e, cedo ou tarde, será tachado por isso. É o que acontece com quem, de repente, sai de si por algum tempo, sem nenhuma motivação aparente. O rótulo vem: ele ficou louco.

E aí as pessoas se assustam quando vêem seu cartãozinho de tratamento de saúde mental e quando descobrem que você está tomando um ansiolítico, antidepressivo ou antipsicótico. Dá medo: será que ele vai se matar? Me matar? Curioso ninguém temer pela vida quando você diz que está tomando remédio para gastrite, colesterol alto ou para não engravidar. São todos de uso contínuo e controlado. E tudo bem. O corpo todo pode adoecer, mas quando é a mente que adoece, você ficou louco. Simples assim.

Não é fácil lidar com a ideia de que você está louco. Você se sente menos, fraco, exausto, fracassado, envergonhado. Você sente, como nunca antes na vida, que está totalmente fora do controle. De repente, a ficha cai de que você não manda nada, não quer nada, não sabe nada, não faz nada. A vida acontece independentemente de você. Você é nada. O que você quer não importa e não altera o curso das coisas.

Mas agora vem a reflexão: ter, finalmente, a certeza de que você não tem o controle de nada é loucura ou sanidade? Aceitar que não temos gerência nenhuma sobre as coisas é loucura ou sanidade? Reconhecer que sua cabeça pode adoecer tanto quanto seu estômago é loucura ou sanidade? Começar a enxergar o mundo de um jeito que ninguém mais vê é loucura ou sanidade? Gritar foda-se para tudo o que estava te amargurando e consumindo há anos é loucura ou sanidade?

Viver é loucura ou sanidade?


Charlie Brown Jr. foi um dos seres incríveis deste mundo que não aguentou mais viver a sua loucura na nossa sociedade. E a culpa é toda nossa. Precisamos parar de matar quem veio neste mundo para nos mostrar novos caminhos, novas formas de pensar. Novas loucuras.

Força para o louco querido que eu amo tanto. Estou com você.

Festa estranha com gente esquisita

Eu já tô legal, mas não aguento mais birita. Lembro muito bem do dia em que cheguei em São Paulo. Era um domingo e eu tinha acabado de deixar as malas no pensionato de freiras (em que morava com mais 150 meninas, algumas das quais se tornaram minhas melhores amigas da vida. Mas essa história, eu conto outra hora :). Saí dar uma volta na cidade grande e fui logo caminhar pela Avenida Paulista. Linda, iluminada e diversa. Me senti bem na mesma hora. Eu ainda não sabia, mas estava chegando em casa.

Oito anos se passaram desde então. A vida mudou horrores (ainda bem!) e é só agora que sinto que estou começando a conhecer São Paulo de verdade. Depois de tanto tempo de resistência, finalmente estou aberta para ela.

São Paulo é uma cidade caótica, pesada e cheia de gente carente. Na balada, as pessoas dançam sozinhas e olham ao redor somente se quiserem pegar alguém. Interagir é uma questão utilitarista. Na padaria, as pessoas comem sozinhas e ficam quase chocadas de tão surpresas quando eu viro para o lado e dou um sorriso.

Afinal, bom dia! Se estamos aqui juntos, comendo um ao lado do outro, no mesmo lugar e a essa hora da manhã de um domingo é porque temos pelo menos alguma coisa em comum. Carentes como são, os paulistanos se chocam com o carinho e a receptividade, típicas do interior. Faço amigos muito fácil por aqui, sem grandes esforços. É só não andar para baixo e para cima com aquela cara paulistana amarrada. Fica a dica.

Mas confesso que estou me sentindo um pouco amargurada neste momento, depois de ter conhecido em um mesmo dia pessoas diferentes, em lugares diferentes, mas com tanto em comum: a tristeza, a confusão e a solidão de São Paulo. Fico pensando: por que esta cidade faz isso com a gente?

Coincidência ou não, também me sinto triste e confusa, mas, ao que me parece, esses sentimentos nada têm a ver com a cidade. Em compensação, não me sinto nada solitária por aqui. Pelo contrário. Nunca me senti tão acolhida e aceita como agora. São Paulo pode ser bonita, minha gente, é só a gente aprender a enxergar tudo o que ela sabe oferecer de bom debaixo dessa casca grossa.

São Paulo aceita a diferença, São Paulo não julga, São Paulo abraça. São Paulo te dá recursos para evoluir e andar para frente. São Paulo transborda cultura e inspiração. São Paulo te mostra o mundo como ele é. Tô quase dizendo I <3 São Paulo. Quase... Já já.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Queira você dar ou amar, você irá assustar

Os homens não estão prontos para a mulher que sabe o que quer! Ei, mulher, saber o que você quer (seja encantamento, seja amizade, seja carinho, seja um PA, seja um amor para a vida inteira ou seja uma foda só por uma noite) assusta, mesmo aqueles caras que você acha que são incríveis e desencanados. Logo, meus caros, o problema desse mundo não é o mi mi mi feminino, mas, sim, a insegurança masculina.

Vocês, homens, não estão sabendo lidar com a mulher que não gosta de joguinho besta, a mulher que não se apega e só fala o que sente, o que pensa e o que quer. Na verdade, vocês não sabem lidar com a mulher que age e pensa da mesma forma que vocês.


A sinceridade, que deveria ser a regra nas relações (duradouras ou temporárias), é a principal inimiga. Ouço tantos amigos dizendo que nós, mulheres, somos emotivas demais, apegadas demais e sensitivas demais, mas na hora do "vamo vê", se a gente simplesmente pega e não se apega, são eles que têm medo. Ei, nós não nos apaixonamos por qualquer um e tem horas que a gente só quer aquilo que está rolando, sem medos, sem planos e sem inseguranças.

A gente também sabe viver só o hoje e deixar as coisas rolarem. Sem pretensões e sem cobranças. A gente sabe ouvir sim e ouvir não. É só falar. A gente sabe só curtir, só viver. E nós também nos enchemos com a indecisão e o vai não vai. Que saco!

Quero logo um mundo em que eu possa ser o que sou e ponto, sem preconceitos e sem medos. Nós somos todos livres e a liberdade está dentro da gente, nas nossas próprias palavras, nos nossos próprios sentimentos. Seja você homem ou mulher, pode (e deve!) ser aceito pelo o que pensa, pelo o que quer e pelo o que demonstra. O mundo não precisa funcionar dessa forma tosca de ter que manipular, se esconder e se limitar, como se você estivesse dentro de um jogo.

O mundo, na verdade, é de quem se joga, quem vive intensamente, quem escolhe, quem sente e aproveita todas as oportunidades que a vida dá, sejam elas alegrias ou frustrações. É essa a minha nova missão de vida: ouvir mais, a cada dia que passa, a intuição que vem aqui dentro de mim. E vivê-la até o talo.

Quero viver tudo o que a vida me dá. E só quero que venha comigo quem também pensar assim. Quero sinceridade e emoções de verdade... intensas ou passageiras, não importa. Me sinto totalmente pronta para encará-las. Quero a verdade, seja ela dura ou deliciosa. Ambas são saborosíssimas.

Isso é ser humano, isso é ser evoluído. Isso é ser mulher. Isso é ser homem. Isso é viver de acordo com o que você sente. Com o que você sabe. Com o que você é.

Não deveria ser tão difícil assim... é a gente que complica. Viver é aceitar o que vem. Sem cobranças, sem medos e sem limitações. Vem, vida, que eu tô pronta!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tristeza, por favor só vá embora quando for a hora

Acho que quando Vinicius e Toquinho cantavam para a tristeza ir embora, eles não estavam falando pra valer. Na verdade, o compositor da música, Haroldo Lobo (muito prazer, aliás!), é quem mais deveria estar mentindo nessa história, quando escreveu esses versos curtinhos, mas que falam tanto para a gente.


Ao contrário das feridas, a tristeza é aquela dor que vem de dentro para fora. Vem devagarzinho, sem ser anunciada e de repente dá aquele pico. Vem com tudo, vem de letra, vem de uma vez. A gente explode em um lapso de tempo que não dá para ser mensurado (quanto tempo durou seu último choro?) ao ver que as coisas estão todas fora do lugar. E aí vem o desespero de pensar que, na verdade, a gente não tem a menor ideia de qual é o lugar delas.

A tristeza é a expressão máxima do cansaço, mas não do cansaço físico. O cansaço da vida. Na verdade, não exatamente da vida, mas da forma como ela tão bem nos tira o chão de uma hora para outra. Um dia você acha que tem tudo e no outro, descobre que não tem e nunca teve nada. E aí olha para cima e parece que o céu está rindo da sua cara. E talvez até esteja mesmo...

E, às vezes, a gente mesmo está rindo da nossa própria cara. Não raro quando nos sentimos tristes, ao mesmo tempo, nos sentimos ridículos. Chorar é a coisa mais ridícula que existe. Esse punhado de carne que libera sons, anda e de repente começa a soltar água pelo olho. Pensa bem: estação da Sé lotada e, de repente, todo mundo começa a chorar ao mesmo tempo (Alô, Tarantino?).

O problema é que precisamos ser ridículos. Talvez o tempo todo. A fronteira entre a sanidade e a loucura é ser ridículo. E, pensando bem, é preciso muita coragem para ser ridículo neste mundo tosco de aparências, não é não? Então, no fundo, a tristeza é necessária para que sejamos ridículos e para que não fiquemos loucos. Mas e se a gente já for? Ser louco é ruim?

Só sei que a tristeza e a loucura são sinais de estarmos vivos, de termos tido experiências e saído do conforto de dentro de nós mesmos para dar a cara para bater por aí. Mas também dar a cara para sentir o vento, para sorrir, para enxergar, para sentir, para imaginar. Para ser feliz.

Quero que você fique aqui comigo, então, tristeza. Vamos nos conhecer melhor. Vamos ser amigas. Mas já já, vê se vai embora, tá? Porque eu quero de novo cantar e tenho ainda muitas ilusões para viver... Mas saiba que a porta vai estar sempre aberta para quando você voltar.

Aliás, nem vou perder tempo em trancar. Você tem a chave.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sair de si, idealizar e voltar

Idealizar significa subir um degrau da consciência. A gente sai dessa vida cotidiana, realista (e chata!) e vai para uma posição em que não há regras, restrições e julgamentos. Nem nossos e nem dos outros.

Assumimos uma posição de controle absoluto sobre tudo o que acontece e, ainda mais, do que queremos que aconteça. Não há dificuldades, incertezas ou ansiedade. Simplesmente estamos à frente de tudo.

Idealizar significa ficar apenas com o lado bom, prazeroso e egoísta das coisas. Não existem receios, vontades alheias... não existe peso na consciência ou incertezas. Tudo o que queremos simplesmente acontece. Nós somos deus e comandamos o mundo. As pessoas são marionetes e o enredo são as nossas vontades.

A graça está em realizar tudo o que passamos a vida desejando. Nossas vontades mais escusas e proibidas. Tudo o que queremos lá no fundo, mas nunca tivemos coragem de manifestar. Nem para os outros e muito menos para nós mesmos. Idealizar é abrir nossa própria caixinha de pandora.

Quando idealizamos, nossos olhos ficam mais abertos. De forma física e psicológica. Nossa capacidade de absorção de tudo o que acontece ao redor fica tão alta que, por um momento, achamos que o mundo não possui uma variedade tão grande de coisas quanto a que somos capazes de imaginar. Nossa mente é infinita e somente quando idealizamos é que temos noção disso.

O mundo é pouco. As pessoas são pouco. As possibilidades são poucas. A realidade é pouca. Pelo menos até a hora em que eu acordar e voltar para o lugar de onde eu nunca deveria ter saído. Mas ainda bem que saí.

sábado, 24 de maio de 2014

Pouco importa o que entra e sai do cu dos outros

Toda vez que converso com meus amigos gays sobre relacionamentos, fico sempre agoniada pensando no sofrimento que eles passaram na definição da sua sexualidade. Para começar, praticamente não existe a expressão "definição de sexualidade" para nós, heteros. Não consigo me lembrar em que momento da vida eu soube que gostava de homens. Eu simplesmente sempre gostei de homens. E é isso. Foi algo natural. Nunca precisei definir nada para ninguém e muito menos para mim mesma.

Não quero entrar no mérito se a homossexualidade é uma questão genética, cultural, comportamental ou qualquer coisa nessa linha. Isso é o que menos importa nesta reflexão. Perdemos muito tempo debatendo a homossexualidade, quando deveríamos estar concentrando esforços em aceitá-la da forma natural que é. Vivemos em um país em que a ideia absurda da "cura gay" é mais uma vez pauta no Congresso e em que pessoas saem do cinema revoltadíssimas ao verem uma cena de sexo entre dois homens.

Por que isso incomoda tanto? Por que tem tanta gente preocupada com o que entra e o que sai do cu dos outros? Fica a dúvida...

Praia do Futuro
Acho que é quase uma obrigação moral que todo brasileiro que também acha absurda essa onda de conservadorismo explícito que temos vivido assista a esse filme. Trata-se de um drama forte, mas extremamente sutil. Acho, aliás, que os melhores dramas são sutis, trazendo questões densas e delicadas nas entrelinhas, para serem captadas apenas por quem está realmente atento e aberto a recebê-las.

O embate interno vivido por Donato (Wagner Moura) em ter que lidar com as merdas que a vida nos envia com tanto carinho (aliás, obrigada, vida! Tamo junto!), junto com a questão de sua homossexualidade reprimida é sufocante. Curioso notar que essa sensação de falta de ar já é anunciada no início, com a cena do afogamento que acabará desencadeando a grande virada na vida de Donato.

Em nenhum momento da trama Donato se questiona, explica ou mesmo demonstra algum sofrimento direto gerado pelo preconceito que vivencia por ser gay. Não é preciso. Nas entrelinhas, a história vai mostrando a agonia silenciosa vivida por ele e o peso que esse sofrimento tem nas decisões que toma. Muito incrível a forma como o filme conseguiu tratar desse universo tão denso, desesperador e confuso de forma tão simples e direta. Foi o que mais gostei no filme de longe! Uma abordagem maravilhosa.


A vice-liderança ficou justamente para as cenas de sexo entre Donato e Konrad (Clemens Schick), que são intensas, carinhosas e extremamente sensuais. Não tenho dúvidas de que foi a melhor cena de sexo gay que já vi. Um bom gosto extremo e um tesão incrível, que deveria deixar qualquer ser minimamente sexual subindo pelas paredes. Isso para não falar da escolha dos atores, que além de talentossímos, são lindos e extremamente gostosos. Saí suspirando do cinema e vou sonhar com Wagner Moura hoje. S2

Do lado negativo, o filme é bem paradão. É verdade. Mas vale assistir por tudo o que ele representa dentro e fora das telas. Felicianos, Bolsonaros e extremistas religiosos podem bater o pé o quanto quiserem: aceitar a homossexualidade é um caminho sem volta. Sou muito feliz por fazer parte da geração que vai ver isso acontecer. Já comprei pipoca.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Eu quero um amor louco! (E quem não quer?)

Eu quero um amor louco. Intenso, forte, que não se contém. Quero alguém que olhe no fundo dos meus olhos, preste atenção em cada coisa que eu falo e cada detalhe dos meus movimentos. E me ache incrível. E se encante todos os dias por mim.

Quero alguém que me olhe apaixonado, que tenha tesão por mim só de ouvir minha voz ou lembrar de mim mordendo o lábio. Quero alguém que me admire, me ache foda e se sinta inspirado sempre que estiver perto de mim.

Quero sentir tudo isso também por essa pessoa. Numa harmonia, além do amor. Quero falar tudo o que penso e ouvir tudo o que não penso. Quero que a gente ria juntos até doer a barriga. Quero um amigo, um parceiro, alguém para construir e, principalmente, destruir coisas juntos. Quero alguém para mudarmos o mundo.

Quero alguém que não me prenda e não quero nunca prender ninguém. Quero um amor livre e se eu não conseguir o amor livre, que ele, pelo menos, se sinta livre para ir embora quando quiser. Mas que volte, se sentir saudade. Quero ir e voltar também.

Quero viver junto e, ainda assim, viver separado. Quero que dure somente enquanto estivermos apaixonados e que doa bastante quando a gente se separar. É sinal de que a gente foi feliz.