Eu já tô legal, mas não aguento mais birita. Lembro muito bem do dia em que cheguei em São Paulo. Era um domingo e eu tinha acabado de deixar as malas no pensionato de freiras (em que morava com mais 150 meninas, algumas das quais se tornaram minhas melhores amigas da vida. Mas essa história, eu conto outra hora :). Saí dar uma volta na cidade grande e fui logo caminhar pela Avenida Paulista. Linda, iluminada e diversa. Me senti bem na mesma hora. Eu ainda não sabia, mas estava chegando em casa.
Oito anos se passaram desde então. A vida mudou horrores (ainda bem!) e é só agora que sinto que estou começando a conhecer São Paulo de verdade. Depois de tanto tempo de resistência, finalmente estou aberta para ela.
São Paulo é uma cidade caótica, pesada e cheia de gente carente. Na balada, as pessoas dançam sozinhas e olham ao redor somente se quiserem pegar alguém. Interagir é uma questão utilitarista. Na padaria, as pessoas comem sozinhas e ficam quase chocadas de tão surpresas quando eu viro para o lado e dou um sorriso.
Afinal, bom dia! Se estamos aqui juntos, comendo um ao lado do outro, no mesmo lugar e a essa hora da manhã de um domingo é porque temos pelo menos alguma coisa em comum. Carentes como são, os paulistanos se chocam com o carinho e a receptividade, típicas do interior. Faço amigos muito fácil por aqui, sem grandes esforços. É só não andar para baixo e para cima com aquela cara paulistana amarrada. Fica a dica.
Mas confesso que estou me sentindo um pouco amargurada neste momento, depois de ter conhecido em um mesmo dia pessoas diferentes, em lugares diferentes, mas com tanto em comum: a tristeza, a confusão e a solidão de São Paulo. Fico pensando: por que esta cidade faz isso com a gente?
Coincidência ou não, também me sinto triste e confusa, mas, ao que me parece, esses sentimentos nada têm a ver com a cidade. Em compensação, não me sinto nada solitária por aqui. Pelo contrário. Nunca me senti tão acolhida e aceita como agora. São Paulo pode ser bonita, minha gente, é só a gente aprender a enxergar tudo o que ela sabe oferecer de bom debaixo dessa casca grossa.
São Paulo aceita a diferença, São Paulo não julga, São Paulo abraça. São Paulo te dá recursos para evoluir e andar para frente. São Paulo transborda cultura e inspiração. São Paulo te mostra o mundo como ele é. Tô quase dizendo I <3 São Paulo. Quase... Já já.

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