O mesmo tempo que escraviza, liberta. Você pode olhar para o relógio do celular como um indício de que o tempo está passando e você está parado, mas você também pode encarar que o tempo é só o tempo e é você que está passando por ele.Nós estamos sempre passando por aí. Que sorte a nossa por isso! As coisas ficam, a gente vai. E, no fim, levamos um pouquinho mais longe só o que realmente importa, só o que deveria estar com a gente mesmo.
Um dia, uma coisa faz todo o sentido do mundo. Essa coisa é importante, bonita. Pode ser feia e pesada também. A vida é assim. Traz pra a gente coisa boa e coisa ruim. Mas, independente do juízo de valor, o fato é: o sentido das coisas muda. E muda graças ao tempo.
É verdade que essa mudança pode demorar mais ou menos. Depende do quanto estamos dispostos a carregar as coisas com a gente. Depende do quanto vale a pena carregar e, às vezes, também do tamanho da nossa teimosia em insistir carregando.
As relações, os sentimentos, os apegos, os sofrimentos, as alegrias, as amizades, o amor... tudo se transforma. Nada é duradouro. Tudo é perecível.
Reconhecer isso é duro, é verdade. O pensamento de que tudo pode durar para sempre é confortante, cômodo, seguro. É mais fácil nos preparar para lidar com o que já conhecemos. Bom ou ruim, sabemos o que vem.
Mas quando você simplesmente admite para você mesmo que, na verdade, você só está passando por aí, a fugacidade das coisas se torna óbvia, assim como a percepção de que nossa caminhada nessa vida é única e só nossa. Somos os protagonistas dela.
Somos nós que escolhemos o caminho, o ritmo, as companhias, as paisagens, as paradas. Não estamos presos a nada. Se ficamos, é porque queremos. Se vamos, é porque decidimos partir.
A vida não para. A gente não para. O que acontece é que às vezes a gente desliga o motor e continua o movimento na inércia.
Que a nossa inércia seja tão passageira quanto tudo o que acontece na nossa vida.