quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O peso das consequências

Reiventar-se significa inventar de novo. Dã! Mas falar é fácil, né?

Inventar de novo significa abrir o espaço para o novo, abrir mão, sair da zona de segurança, apostar no desconhecido, deixar para trás o que fazia sentido antes para buscar novos sentidos. Reinventar-se significa abandonar.

E por que é tão difícil abandonar as coisas, as situações e as pessoas? Mesmo quando elas nos fazem mal? Por que muitas vezes o desconhecido parece pior que a nossa realidade, por mais terrivel e insustentável que ela seja?

Talvez seja o peso daquela famosa expressão que todo mundo já deve ter ouvido de seus pais uma vez nada vida: "Faça, mas arque com as consequências." Até tomar a coragem necessária para fazer não é tão impossível assim. Demanda tempo, desprendimento, mas a gente chega lá... Mas, agora, conseguir a coragem necessária para arcar com as consequências... Aí o bicho pega.

Tem gente que passa uma vida inteira sem sentido por medo de arcar com as consequências. Bom, aceitar que vamos arcar com as consequências não é mesmo uma tarefa fácil. Chega até a ser desesperadora em alguns momentos.

Ainda estou no meio da caminhada, mas muita coisa já ficou pra trás. Muito espaço está aberto para o novo, muito abandono foi realizado e a zona de segurança ficou para trás faz tempo... A trajetória não foi fácil, admito. E não tem sido.

Mas posso lhes dizer uma coisa: as consequências não são tão ruins quanto pareciam. Estou quase dizendo que foram até melhores do que eu poderia imaginar.

Por isso, tome coragem. Arque com as consequências! Abandone!

Ah! E pense menos no que os outros vão pensar. Quem vai arcar com as consequências é só você e ninguém mais...

sábado, 8 de setembro de 2012

Como se não houvesse amanhã

Quanto tempo da sua vida você passa no modo "querer ser"?

O que você vai ser quando crescer? Vai ser menino ou menina? Qual sua pretensão salarial? Que faculdade você vai fazer? O que você faria se ganhasse na Mega Sena? Será que vai fazer sol no fim de semana? Onde você se vê daqui a cinco anos? Será que eu vou passar no vestibular? Será que eu vou conseguir aquela vaga? Será que eu vou casar? E se eu não tivesse? E se tivesse? O que acontece depois que a gente morre? Será que eu vou passar de ano? Quais suas promessas de Ano Novo? Assopre as velinhas e faça um pedido! Mas corte de baixo para cima para crescer na vida. Desejo que vocês sejam muito felizes. Vou sentir sua falta.

Você vai morrer daqui a cinco minutos. Feche os olhos e experimente um pouco do modo "ser". O que você é? Agora, já, neste momento. Sem planos, sem metas, sem objetivos. Nós próximos cinco minutos pense como se não houvesse futuro, só estes instantes importam.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os tsunamis nossos de cada dia

Um tsunami. Vindo devagarzinho, com quilômetros de altura e água bem azul. Uma onda comprida que se misturava com o céu. Eu estava na frente da minha casa, que ficava mais ou menos na metade da rua. Era uma subida e eu não conseguia ver o que mais estava por vir. Apenas a onda. Enorme, desesperadora. Não dava tempo de entrar em casa e avisar minha família. Não dava tempo de correr. Eu ficava só olhando para ela e o estômago vinha na boca.

É curioso como às vezes os sonhos (no caso, os pesadelos) se repetem, não é mesmo? Por muitos anos, essa cena que eu descrevi assombrou minhas noites de infância. Tanto que se eu fechar os olhos agora, consigo reconstruir a cena perfeitamente na minha cabeça. Quase que consigo lembrar também da sensação de desespero quando eu acordava. Aquela quebra abrupta entre sonho e realidade, prender-se na cama com os dois braços como se eu estivesse caindo e a respiração rápida, curta e desesperada. Aqueles poucos segundos eternos de confusão até entender que aquilo foi só um fruto do imaginário.

E mesmo depois de entender, demorar a dormir. De tão real que tudo pareceu. De medo que aconteça de verdade, de medo de sonhar de novo. De vergonha por estar com medo de um sonho. E, na manhã seguinte, o sorriso amarelo e quase que envergonhado pelo medo passado à noite e a tentativa de entender o significado do pesadelo.

Eu nunca consegui identificar o sentido concreto desse sonho. O que exatamente ele estava reprensetando na minha realidade da época, nos meus sentimentos da época. E, depois de grande, nunca mais sonhei com isso.

Mas ultimamente, acordada, tenho lembrado muito dele. As novas etapas da vida não parecem um tsunami às vezes? Eu me sinto exatamente assim neste momento. No meio da rua, a onda vindo, maior do que eu e eu não posso fazer nada para impedi-la. Não podemos fazer nada para evitar a passagem do tempo, algumas mudanças, o fim de algumas fases.

A sensação é da morte iminente, mas o curioso é que é sem a sensação de fim. Eu fico pensando que talvez morrer seja assim. A gente sabe que está chegando, mas todo aquele vazio que a gente temeu a vida inteira sentir à beira da morte não aparece na hora. Desespero, sim. Afinal, tudo o que a gente conhece vai ser inundado. E a gente sabe que não consegue sobreviver debaixo d'água. Mas será mesmo o fim?

Quando tudo o que está errado, por mais que nos faça sofrer, já é dado como certo na nossa vida, uma mudança, mesmo com a possibilidade de melhora, é desesperadora. É o tsunami, é a sensação da beira da morte. É olhar ao redor e saber que esses são os últimos segundos de tudo aquilo do jeito que a gente conhece. É uma saudade antecipada. É a morte.

Dizem que morremos um pouco a cada dia, né? Eu acho isso bem triste. Mas tento pensar que essa morte é fundamental para nos inundar, nos avassalar e, então, nos esvaziar... Só assim deixaremos espaço para novas coisas. Para uma nova rua, para uma nova casa. Melhor ou pior não sei... mas é o novo!