domingo, 8 de setembro de 2013

Manifesto contra o casamento

Dedico este texto aos vários amigos que já se casaram, estão noivos, ou flertando com o felizes para sempre... ;)

Quem me conhece, sabe que eu tenho uma opinião bem forte a respeito de relacionamentos e, consequentemente, casamentos. Não sou daquelas extremistas que acham que o casamento ainda é aquela antiga criação medieval / católica para acorrentar as pessoas, uma instituição falida. Mas também não acho que o casamento deva ser o único objetivo de longo prazo possível para uma pessoa que queria ser bem sucedida emocionalmente, sob a pena de envelhecer condenada à solidão.

Eu acho que o mundo anda meio estranho. Evoluímos tanto e, ao mesmo tempo, evoluímos nada. Ainda há um enorme caminho para percorrermos, mas é fato que as mulheres andam mais focadas e bem sucedidas em suas carreiras e os gays começam pouco a pouco a conquistar seu digno espaço na sociedade, especialmente nos grandes centros (no interior, ainda temos mais ainda o que evoluir).

Cada vez mais, os homens têm o direito de serem sensíveis e românticos se quiserem e as mulheres, de saírem por aí dando para todo mundo e sendo felizes assim, sem estigmas. Essa quebra de esterótipos é linda! O preconceito ainda é forte, é claro, mas, finalmente pega mal. Isso, por si só, é uma evolução.

Mas, por outro lado, nunca vi tamanho desespero dos jovens de quase 30 anos para casar. É impressionante! É só o casal que namora há algum tempo começar a ter um pouquinho mais de grana, que já começa a pressão para que haja uma data de início dos preparativos. E ai de você se ainda não tiver... Gente, calma! Pra que a pressa?

E o mais curioso é que a pressão não é mais só da vó ou da tia cinquentona. A pressão é do próprio grupo de quase 30 anos. É desesperador, sufocante! Gente que não viveu nada sozinho ainda: a vida inteira morando com os pais, foi da escola para o cursinho e daí para a faculdade, conseguiu um empreguinho nine to five e agora, com a tão sonhada independência financeira, em vez de começar a fazer planos bacanas de realização pessoal, já se enfia numa carga pesadíssima de ter que casar para ser feliz para sempre.

O amor é uma coisa tão linda. São duas pessoas completas, que possuem sua individualidade, que têm planos próprios, vida própria, amor próprio, mas que, ainda que se bastem sozinhas, escolhem viver junto do outro. Por quê? Por amor e ponto final. Não é pelo desespero de envelhecer sozinho, de ter uma família consolidada ou de preencher todas etapas necessárias para uma vida em sociedade bem sucedida. O casal vive junto porque se ama e isso basta.

O status do relacionamento não importa. Se é namorado, enrolado, casado, reconciliado... Tem gente que anda usando uma expressão que eu acho muito engraçada: "Namorido", para quem namora há muito tempo, mas ainda não casou. Meu, por que tem que ter a analogia ao casamento no meio? As pessoas não podem simplesmente estarem juntas há muito tempo ou morarem juntas e serem felizes e ponto? Sendo só namoradas / enroladas / reconciliadas / nenhuma das anteriores? Sem nomes ou rótulos?

Eu acho essa ideia de casamento totalmente desconectada da vida que temos hoje. Não faz o menor sentido. E ainda por cima banaliza uma palavra que deveria ter um significado quase surreal de lindo.

Já pensou se não fosse obrigatório casar? Quando eu digo obrigatório, eu digo socialmente obrigatório... Seria assim: quando você se encontrasse com qualquer um de seus colegas, conhecidos ou amigos, você conversaria sobre um milhão de coisas e projetos pessoais em vez de ficar falando só sobre preparativos de casamento ou ouvindo piadinhas de "como é duro estar encoleirado".

E aí, de repente, em uma reunião qualquer entre amigos, um casal viraria e diria: "Vamos nos casar!". O mundo pararia por alguns segundos e todos em volta iriam olhar para eles com admiração. Notariam os olhos brilhando, a felicidade genuína e uma escolha tomada unicamente com base no amor, sem pressão social, obrigação ou qualquer coisa do gênero.

Você saberia que aquele casal encontrou o amor de uma forma tão completa e intensa, que os dois sentiram ao mesmo tempo que chegara a hora de mostrar seu sentimento para o mundo e tornar público um compromisso que os corações deles já assumiram: o amor para sempre.

Eu acredito em amor para sempre. Acho que uma conexão tão intensa, certeira e até divina (para quem acredita) é possível, sim. Mas isso, minha gente, não é para todo mundo não. O casamento não é para todo mundo! O amor eterno não é para todo mundo! E acho que é essa a realidade que nós ainda temos medo de aceitar.

A questão é: não é porque o amor eterno e o casamento não são para todo mundo que quem não os encontrar nessa vida será fadado à frustração emocional eterna ou à solidão profunda. Existem milhares de outras facetas da vida humana, tão (ou mais) maravilhosas e essenciais para nós. Se o casamento ou o amor eterno não forem para você, outras coisas serão... é só você estar disposto e aberto para descobri-las!

E a ironia é que, para mim, enxergar a vida dessa forma torna o amor eterno e o casamento muito mais bonitos, muito mais verdadeiros, muito mas próximos do que eles deveriam ser...

P.S.:  Aos meus queridos amigos de quase 30 anos, casados, noivos ou com planos de se casar: desejo a vocês um amor de verdade, livre de pressões sociais e culturais, e também muitas alegrias individuais. Não deixem a individualidade de vocês de lado só porque estão juntos. Ser completo por si só torna a parceria muito mais leve, carinhosa e recompensadora, como ela tem que ser. :)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Ser você mesmo e se bastar

A vida ganha um sentido totalmente novo quando você começa a olhar para o espelho e gostar do que vê. Isso se chama ser você mesmo e sentir-se preenchido com isso. Ser suficiente para si mesmo.

Não acho que nós passemos a vida toda assim, pelo contrário, mas acho mesmo que temos sempre que nos nortear para essa direção. Quanto mais tempo passarmos valorizando nós mesmos, confiando em nós mesmos e tendo planos próprios, maior será a chance de estarmos sendo felizes nesses momentos.

Isso não significa se achar totalmente autossuficiente, desprezar a companhia e o apoio dos outros. Mas, sim, em enxergar os outros como parceiros de jornada. Parceiros que podem ficar um tempo, algum tempo e talvez muito tempo ao nosso lado. Parceiros que tornam a caminhada mais fácil, mas não são uma condição estritamente necessária para seguirmos em frente.

Não veja as pessoas ao seu redor como condições estritamente necessárias: não coloque todo esse peso em alguém. Veja-as como presentes recebidos e aproveite o tempo em que elas estão ao seu lado. Mas nunca esqueça que o caminho que você percorre é só seu.

O sentido da nossa vida está dentro da gente mesmo. E quando mais cedo descobrirmos isso, mas fácil (e feliz) será essa jornada. Seja você, pense em você, viva você e se baste! :)


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Aceitação: exigimos tanto dos outros sem fazer por eles

Ando passando por um momento de autoafirmação. Um pouco tardio, é verdade, mas finalmente ele chegou. Esse sentimento é fundamental para separar as mulheres das meninas, os homens dos meninos. É quando a gente começa a ser mais a gente mesmo do que o que os outros querem que a gente seja. É quando a gente cresce.


Mas acabo de me deparar com um dilema. Lutamos tanto por nos fazer ouvir, respeitar e para que os outros nos aceitem da forma que somos. Tenho destinado meus esforços emocionais somente a isso no último ano. Mas acabei esquecendo que eu também tenho que aceitar os outros como eles são...

Por que é tão difícil aceitar e respeitar as diferenças? Porque não podemos conviver pacificamente, cada um até o limite da não anulação das próprias características e tampouco das características alheias. Na real, será mesmo que essa convivência harmônica de opostos tão opostos é possível?

Fico pensando que talvez seja esse o maior problema do mundo...

domingo, 30 de junho de 2013

Expectativas e a sua fatídica consequência: a frustração

Eu ía começar a escrever este texto dizendo que a vida é cheia de expectativas. Mas depois acabei ponderando e resolvi escrever que a minha vida é cheia de expectativas ou até que a vida de algumas pessoas é cheia de expectativas.

Tenho o costume de criar regras para a vida de acordo com as minhas experiências. Melhor: regras de comportamento das pessoas diante da vida. Ao viver dessa forma, sinto-me mais esperta do que os outros. E às vezes eu sou mesmo. O problema são as vezes que não.

O hábito de ler nas entrelinhas faz a gente antecipar algumas coisas, mas outras faz a gente errar forte ao "subentender" o que está acontecendo. E, por isso, às vezes gostaria de não ser assim tão "espertinha" pelo preço que pago por às vezes na verdade acabar sendo é bem "burrinha" ao me preocupar com algo que sequer existe.

Ocorreu-me agora que talvez eu tenha esse hábito justamente por viver uma vida cheia de expectativas. E o lado negativo desse estilo de vida, ultimamente, anda me incomodando um pouco.

Ter expectativas implica invariavelmente em viver frustrações. Muitas! E em número muito maior do que ver as expectativas realizadas. A pergunta que está na minha cabeça agora então é: vale a pena?


quarta-feira, 17 de abril de 2013

O assassino do Victor pode muito bem ser você...

Essa discussão toda sobre a redução da maioridade penal para 16 anos, que voltou à tona após o assassinato do Victor na porta de casa na semana passada, me fez refletir um pouco sobre se existe alguma lógica nas minhas posições em temas polêmicos.

Fiz um rápido mapa mental agora de manhã:

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL:
Acho que sou a favor, como medida paliativa. Confesso que estou um pouco confusa, após ouvir bons argumentos do lado de quem é contra (do tipo que os maiores passarão a aliciar menores de 16 anos para o crime, o sistema carcerário brasileiro já não se aguenta do jeito que tá e mais uma medida paliativa não resolve a verdadeira causa do problema: a injustiça social que impera no Brasil). De qualquer forma, só a redução não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO:
A favor. Sou contra o aborto em casos normais (tipo eu ficar grávida agora por acidente. Fez merda? Arque! E trate de amar muito o seu filho!). Mas só quem passa pela situação sabe qual o peso de se carregar o filho de um estupro na barriga. Sem contar a questão de saúde pública: os abortos vão continuar acontecendo independentemente de sua legalização. Que seja pelo menos de forma segura para as mulheres e mais barata para o sistema de saúde. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA:
A favor. Galera hipócrita que faz vista grossa para o alcoolismo em nome das cervejas do fim de semana e aponta o dedo na cara de quem fuma um. Tenho experiências familiares de vício em álcool e em drogas e não sei dizer qual foi mais traumática. Sem contar o combate ao tráfico e suas consequências sociais. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DE OUTRAS DROGAS:
Por enquanto, contra. Tem muita porcaria (nociva demais para nossa saúde) dentro desse universo "outras drogas". Mas estou aberta a discutir com alguém que queira defender alguma delas, afinal, acho que essa é a única forma de acabar com o tráfico e suas consequências sociais. Mas, só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

CASAMENTO E ADOÇÃO POR GAYS:
A favor. Nem preciso falar, né? A luta e o sofrimento dos gays de hoje é a mesma das mulheres de meio século atrás (e ainda nos dias de hoje, na verdade, apesar de várias conquistas). Não tem como eu não me solidarizar. O preconceito e o conservadorismo que ainda predominam na sociedade brasileira seriam fortemente combatidos com uma reforma estrutural na educação.

DESARMAMENTO:
Votei contra. Para mim, portar arma não reduz em nada a violência, mas o fato de o porte não ser legalizado hoje não passa de um atestado para o bandido de que o cidadão "de bem" não terá uma arma. E o bandido a gente sabe que sempre vai ter graças ao tráfico e suas consequências sociais. Mas liberar o porte de arma não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

E, pensando bem, a proibição também não. Percebi que, para mim, fazer esse questionamento em um país com problemas sociais tão grandes e enraizados não faz sequer sentido. Tanto faz! Meu voto no referendo foi guiado por uma causa maior: a necessidade de uma reforma estrutural na educação, que fatalmente reduzirá a violência a partir das opções que serão dadas às pessoas que vivem hoje na criminalidade.

COTAS NAS UNIVERSIDADES:
A favor, como medida paliativa. Mas um Brasil ideal é um Brasil sem cotas, onde todo mundo tem oportunidades iguais. Conclusão: só as cotas não adiantam nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

BOLSA FAMÍLIA:
A favor, como medida paliativa. Acho que é muito fácil criticar o assistencialismo do PT e acusar os pobres de "mamar na teta do governo" quando o seu armário tá cheio e você nunca passou fome na vida. A gente não sabe o que é isso, minha gente! Mas um Brasil ideal é um Brasil sem Bolsa-Família, onde todo mundo tem acesso ao mínimo para viver com dignidade. Assim, só o Bolsa-Família não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

Depois de tudo isso, cheguei à conclusão de que existe, sim, uma mesma lógica para todos os meus posicionamentos em questões polêmicas:
  1. Apoiar uma ação imediata, mesmo que não seja ideal, para apagar os incêndios;
  2. Defender uma ação de longo prazo efetiva, que realmente sane a causa do problema.
A partir desse raciocínio, consegui reforçar um outro posicionamento meu bastante forte: só existe uma ação possível para resolver TODOS os problemas sociais do Brasil: uma reforma estrutural na educação.

Acho que, finalmente, temos um consenso nesse post. Nunca conheci alguém que se declare contrário a uma reforma estrutural na educação brasileira. Mas o grande problema é que a maioria das pessoas que podem fazer alguma coisa em relação a isso (leia-se eu e você) se isenta dessa responsabilidade.

Logo, chego à conclusão definitiva deste post: o comodismo, a preguiça e o egoísmo são as causas principais de TODOS os problemas sociais que temos no Brasil.

O assassino do Victor não é o menor de 18 anos que já aprendeu a cometer crime de adulto. O assassino do Victor somos eu, você e todo mundo que não levantar todos os dias da cama inconformado e obstinado em fazer tudo o que puder para tornar o Brasil um país melhor. Para todos!


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Por que estamos neste mundo?

Você já se perguntou por que você está neste mundo? Pelo menos, já pensou nisso alguma vez na vida, vai? Vou supor que sim em nome da minha sanidade mental, porque esse é um questionamento existencial que me persegue já há não sei quanto tempo... talvez desde sempre.

Nos momentos piores, mais difíceis e tristes, bate o vazio. Nada tem sentido, as coisas são bestas. O mundo é besta... se você assistir ao Jornal Nacional então... ou lembrar do nosso presidente da Comissão de Direitos Humanos, do Senado... a gente não percebe como é forte por não se jogar da primeira sacada que aparece por conta disso.

Nos momentos neutros, o nome já diz: a gente não pensa nessas coisas. Mas o que me intriga é a intensidade da plenitude que nos preenche nos momentos felizes ou naqueles em que sentimos que acabamos de fazer a coisa certa (infelizmente, nem sempre eles coincidem, mas, para mim, a sensação é parecida nas duas situações). É assim também com vocês?

Eu sinto como se eu tivesse nascido só para isso, exatamente para isso: para a felicidade. É como se ser feliz e fazer o bem fosse a regra e todo o resto, apesar de maioria, a exceção.



domingo, 24 de março de 2013

Cinquenta tons de machismo

Reencontrei uma amiga muito querida na semana passada, que andou passando por um daqueles momentos muito difíceis da vida feminina multitarefas. Além da óbvia solidariedade de gênero e do meu amor por ela, outro fator tem me tornado extremamente solidária a quem tem sofrido as agonias desse novo mundo feminino: também passei recentemente por uma dessas. Das brabas!

Mas, enfim, este não é o tema do meu texto de hoje. Essa introdução foi só para mostrar como cheguei aos Cinquenta Tons de Cinza. Ela leu, amou e me emprestou.

Desde que começou o vuco vuco em torno desse best seller, confesso que torci feio o nariz. O motivo: as críticas que caracterizaram a trilogia da britânica E. L. James como machista. Quem me conhece um pouquinho, sabe que a minha tolerância ao machismo é extremamente baixa, se é que tenho alguma.

Mas apesar das minhas posições fortes (às vezes, cabeça dura), do meu engajamento feminista (muitas vezes, exagerado), sei que sou uma pessoa bastante aberta a ouvir. Menos a aceitar as diferenças, mas, ainda assim, sou uma boa ouvinte de ideias diferentes. Ainda mais, quando se trata de uma amiga.

Aceitei o livro e me empolguei com as piadas dela em relação a seu relacionamento secreto com o fantástico Sr. Grey.

A não surpresa foi que gostei muito do livro. Sim, vocês não estão cegos e eu não estou louca. De alguma forma, ainda que meio contrariada, eu pressenti que ía gostar.

A grande surpresa foi que não o achei nada machista! NADA! Me envolvi totalmente com a leitura... Atendeu minhas expectativas: uma leitura, sim, rasa (mas alguém estava esperando o contrário?). Ideal para relaxar minha cabeça que anda mergulhada em aprender um pouco de Direito Constitucional e Administrativo para prestar o concurso do Banco Central em breve.

Resultado: quase 500 páginas em duas noites mal dormidas. Ah, Sr. Grey...

Gente, vamos ser menos chatos! Este mundo está muito careta! É uma leitura de lazer, minha gente. Ficção, esvaziar a cabeça, sabe? Na vida, tem hora para ler Guimarães, Machado. Assistir (e amar!) Almodovar, ouvir Chico e Caetano... mas também tem hora para falar abobrinha, fazer piada rasa, ser idiota. Muito prazer, eu sou normal!

Que atire a primeira pedra quem não gosta de alguma das alternativas abaixo para se distrair:

a) Novela;
b) BBB;
c) Seriado (enlatados norte-americanos);
d) Senhor dos Anéis;
e) Crepúsculo;
f) Harry Potter;
g) Lek Lek, Harlem Shake e memes bizarros do Youtube;
h) Porta dos Fundos;
i) Kibe Loko;
j) UFC;
k) Futebol (xiii, essa é polêmica... haha);
l) A que eu não escrevi aqui, mas que você adora e sabe que, no fundo, se encaixa perfeitamente nessa lista.

Mas agora vou fazer uma grande revelação:

Tcham tcham tcham tcham...

Além do momento "distração", este livro me despertou um questionamento sério em relação ao machismo. Vejam vocês que ironia! Para mim, machistas, na verdade, são algumas críticas ao livro.

Cansei de ler nesses últimos meses, comentários de homens revoltados e blogs "para machos" descendo o pau na mulherada pirando nos Cinquenta Tons. O pensamento se resume no seguinte:

"Não consigo entender as mulheres. Elas se dizem feministas, querem ser independentes, lutam contra a violência feminina... mas estão se derretendo todas com o livro do machão que bate na mulher e a trata como submissa. E ainda por cima só gostaram do cara porque ele tem dinheiro e trata a mocinha virgem como prostituta."

Desde a primeira linha, confesso, que procurei avidamente por embasamentos para essa argumentação masculina, só para vir aqui xingar o livro e pregar meu velho discurso de que mais escroto que homem machista é mulher machista. Mas não consegui achar em qualquer parte do livro. NENHUMA! Esse pensamento não tem NADA A VER com a trama do livro e é, na real, muito preconceituoso!

Fiquei, na verdade, me questionando se o que perturbou tanto esses homens não foi, na verdade, algum dos itens abaixo:

1. O fato de o Grey ser um puta de um gostoso tesônico (viva o Casal Sem Vergonha! :). Muitos homens heterossexuais não sabem lidar com homens gatos, tanto que não conseguem dizer que um cara é bonito, porque, afinal "eu não sou viado";

2. O fato de o Grey ter um pinto grande e saber muito bem como usá-lo. Nem preciso comentar. Trauma masculino total com o tamanho do pinto. Assim como a gente tem com a pancinha, a celulite... e, no fim, podemos ser mais parecidos do que imaginamos;


3. O fato de o Grey manjar muito de mulher e saber exatamente o que está fazendo. Ele simplesmente dá conta, quantas vezes for. Todas as vezes que eles transam, ela goza... e com penetração! Sem esforço! Imagino o quão assustador seja o fato de ele dar mais orgasmos para a Ana em duas semanas do que qualquer um deles acha que conseguirá fazer na vida;


4. O fato de ser um livro erótico voltado para mulheres. PARA MULHERES! Não que seja o primeiro, mas certamente foi o primeiro que fez tanto sucesso. Não tenho certeza se muitos homens já sabem lidar bem com o fato de que as mulheres também exigem sentir prazer;


5. O atestado de que assim como eles curtem bater uma com Playboy ou um pornô e gostam de olhar pra bunda na rua e falam sobre os peitos da secretária com os amigos (e isso é normal), a gente também tem isso! Só que reconhecer isso e, de repente, começar a descobrir que as nossas formas de sentir tesão são muito diferentes... Isso é uma novidade avassaladora que foi jogada e esfregada na cara deles;


6. "Ah, mas o Grey não existe. É um exagero, uma fantasia". E, por acaso, vocês realmente acham que as minas dos filmes pornô e do Pânico são, na verdade, daquele jeito mesmo que vocês vêem e ficam loucos? E isso por acaso torna a punheta menos prazeroza? Então...


7. A gente também fode... nem sempre fazemos amor. Nem sempre queremos. É, queridos... a vida é dura. E a gente adora!


8. A gente fecha os olhos e quer dar pro Grey. Em cada passagem que narra a transa deles, a gente se imagina no lugar da Ana. Vocês não se imaginam comendo todo mundo de todas as formas e tudo bem? Isso muda o que vocês sentem pela namorada ou pela mulher? (Vocês juram que não e eu, de verdade, acredito!) Saibam que a gente também deseja, fantasia e quer outros homens. E isso também não muda em nada o que sentimos por vocês. É só sexo, prazer. A gente também sabe separar.


Se você (homem ou mulher) não reconhece (ou não admite tudo isso), você pode ser machista e, se for mesmo, eu não gosto de você! Sorry. (Cabeça dura e exagerada, lembra?)

Mas, por outro lado, você também pode ser um homem perdido nesse novo mundo de libertação feminina e que ainda não sabe lidar bem com tudo isso.

Vou te contar um segredo: nem a gente sabe direito. ;) Mas a gente vai chegar lá e ensinar vocês. E, se você se encaixa nesse segundo caso, aí eu gosto de você, tá?


Tem mulherada pirando achando que o Matt Bomer vai interpretar o irresistível Sr. Grey na telona. Eu não iria achar ruim. :) Infelizmente, na vida real, o ator gosta da outra fruta (ponto pra vocês, gays! Saco! :).

Mas, homens hetero, não desanimem. Há rumores de que a
Mila Kunis (que se eu já acho ma-ra-vi-lho-sa, imagino vocês) pode ser a Ana. Nada mal, hein?

sábado, 9 de março de 2013

Meus defeitos são outra história

Não consigo me acostumar com pessoas que tercerizam a própria vida, narrando-a na forma de uma história. Talvez porque eu tenha uma facilidade enorme de falar sobre mim mesma, meus sentimentos, minhas qualidades e meus defeitos. Até demais... vários companheiros de dois minutos de elevador já ouviram coisas minhas que tem gente que leva a vida inteira para contar para o terapeuta.

Talvez eu tenha exagerado um pouquinho, mas a ideia era caricaturar mesmo. Você conhece alguém que fala de si e seus sentimentos sempre na terceira pessoa? Você é assim?

Vou dar dois exemplos que ouvi recentemente:

"Estou cansado do brasileiro de hoje que se acha engajado assinando petições pela internet. Veja essa última do Renan Calheiros: mais de 1 milhão de assinaturas virtuais e meia dúzia de gatos pingados para entregar o abaixo-assinado ao vivo em Brasília."

Algumas coisas me passaram pela cabeça ao ler isso na minha timeline:

1. Essa pessoa está falando dos brasileiros e é brasileira. Logo, ela está fazendo uma crítica a ela mesma sem perceber.
2. Essa pessoa assinou a petição online? Obviamente não.
3. Essa pessoa foi entregar o documento ao vivo no Congresso? Provavelmente não.

Minha conclusão: a pessoa está usando a própria arrogância para mascarar a sua comodidade em relação às coisas que acontecem no Brasil. Quando ela fala dos brasileiros, e não dela mesma, ela se distancia do assunto e, assim, aparentemente não tem culpa. Ela se justifica agindo como se o problema não fosse dela: o problema é dos brasileiros.

Outra coisa: se ela não assinou a petição online e nem foi entregar o documento ao vivo no Congresso, que moral ela tem para criticar as pessoas que se mobilizaram "apenas" pela internet?

Outro exemplo:

"É um absurdo esse pastor ter assumido a Comissão dos Direitos Humanos. Ele deveria ter a humildade de saber que, para ocupar esse cargo, a pessoa deveria ser mais isenta. Acho um absurdo quando a religião passa por cima dos interesses coletivos. E pior ainda: os protestantes defendendo isso porque é alguém da religião deles."

Minha conclusão: Essa frase é perfeita para mim. Concordo com todos os pontos, sem exceção. Nem parece que saiu da boca de uma pessoa extremista e extremamente fanática por outra religião, que defende absurdos muito parecidos com esse. Mas daí tudo bem, porque eles são realizados por seu próprio grupo (que, aliás, também está na política).

Mas o que acho mais curioso é que ela consegue ter uma percepção incrível da manipulação religiosa...

...sofrida pelos outros! Quando se trata da sofrida por ela mesma, todo esse conhecimento parece que evapora. Parece outra pessoa.

***
Por que será que isso acontece? Por que é mais fácil falar dos outros ou falar da gente como se fosse outro?


quarta-feira, 6 de março de 2013

A parte mais difícil de amar

Eu acho que talvez a parte mais difícil de amar é entender que cada um é responsável por si e suas escolhas. Até aí, tudo bem, viva a liberdade de expressão! Mas o foda é que isso ocorre tanto quando as escolhas  são acertadas quanto quando são erradas.

Quando a gente ama alguém, seja nosso namorado, nosso melhor amigo, mas, principalmente, alguém da nossa família, muitas vezes nós conhecemos essa pessoa tão bem, que pensamos que sabemos o que é melhor para ela. E você sabe que às vezes a gente até sabe mesmo...

...o problema é que a escolha do caminho a se seguir é uma das poucas coisas na vida que é só nossa e o outro não pode fazer pela gente. Claro que o outro interfere, opina, argumenta e até obriga... mas o passo à frente, ou atrás, quem dá é a gente mesmo. Na primeira oportunidade que tivermos.

E como é duro ver alguém que a gente ama dando passos para trás... Como é duro ver alguém que a gente ama sofrendo pelas próprias escolhas que fez. E mais duro ainda é ver que a pessoa não está enxergando que todo o mal que está passando é fruto justamente dos caminhos errados que ela tomou.

A gente não aceita isso. O amor não deixa. E é por isso que eu digo que aceitar as escolhas do outro é a parte mais difícil de amar.

Nós não temos o controle das nossas vidas e muito menos da dos outros. Bem que gostaríamos de ter, mas não temos. E quanto mais cedo entendermos isso, mas fácil, ou menos difícil, nossa passagem por este mundo será.

Acho que o mundo vive numa fase de grande questionamento de credos. Mas uma coisa eu já tenho como certa dentro de mim. Tudo o que acontece tem uma razão. Absolutamente tudo! Por mais que a gente a desconheça, ou até nunca venha a conhecê-la.

O problema é que esse "tudo" abrange as coisas felizes e as tristes, aquelas duras de aceitar. Aquelas bofetadas crueis que nos pegam desprevenidos e nos desmontam de uma hora para outra, parecendo que nunca mais vamos conseguir nos remontar.

E talvez não consigamos mesmo. Pelo menos, não da forma como éramos antes. Alguns pedaços que tiram da gente nunca poderão ser recuperados. O vazio ficará lá. Obra do amor.

Mas é aqui que entra o grande socorro às feridas de amor: o tempo. Com o tempo, a gente consegue parar, refletir, chorar... se desesperar. Protestar, sofrer, maldizer, brigar. Perder a esperança. Mas com o tempo a gente também consegue se distanciar do que aconteceu e entender melhor as coisas. Ou, pelo menos, deixar de sofrer tanto por elas.

Quem ama é capaz de fazer de tudo pela pessoa amada. E eu acho que essa é uma das maiores belezas do amor. Mas o que precisamos entender é que isso não nos torna responsáveis pelas escolhas dela.

Acho que essa é a lição de vida mais difícil de aprender. E talvez uma das mais doloridas. Mas sabe que, ironicamente, o amor, e sua plenitude, também é um dos professores nesse caso. Para o amor, não existe tempo, não existe fim, não existe morte. O amor só existe... e isso basta.

O amor é o que nos faz acordar todos os dias e seguir em frente... mesmo quando seguir em frente não parece ser a melhor opção.

Mas é... e o amor também nos dará a força necessária para isso nos dias difíceis.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

A arte do não se acostumar

Minha cama é debaixo da janela do quarto. Normalmente, quando eu deito para dormir e olho para frente, vejo meu guarda-roupa. A janela está em cima da minha cabeça e não vejo nada lá fora.

Nos dias em que quero refletir sobre a vida ou estou em busca de inspiração ou de alguma resposta, eu costumo deitar ao contrário. Meu guarda-roupa fica atrás da minha cabeça e quando olho para frente, vejo a janela...

Olhar para o céu acalma. Quando você olha para o céu e fica reparando nele, nas nuvens, nas cores, automaticamente esvazia a cabeça. E olha que, nos dias de hoje, conseguir esvaziar a cabeça por alguns minutos é uma enorme conquista.

Mais do que esvaziar a cabeça, a gente olha para uma beleza extrema que está diante de nós todos os dias. Basta levantar a cabeça. Mas a gente tem uma mania tosca de se acostumar com as coisas que temos e deixar de reparar nelas.

A gente se acostuma com a nossa rua, com a nossa casa, com o nosso quarto. Quem nunca ficou morrendo de saudade da cama depois de passar alguns dias fora?

A gente se acostuma com a nossa saúde, com a nossa visão. Acostuma a sentir o gosto das coisas, a respirar. Como é terrível aquele dia em que ficamos com dor de cabeça ou garganta! Como a gente valoriza  nessa hora as horas em que estamos bem. E como a gente esquece disso rapidinho quando saramos.

Mas acho que a pior coisa para se acostumar (e a gente sempre faz isso!) são com as pessoas à nossa volta. Nossos vizinhos, nossos colegas de trabalho, nossa família, nossos amigos, nosso amor. Afinal, eles estão sempre lá, não é mesmo?

Sempre temos na ponta da língua onde queremos chegar e o que falta. Sempre temos uma lista do que reclamar.

Mas a gente deveria reparar mais em tudo de bom que temos. Parar alguns segundos por dia, respirar fundo e agradecer por tudo. Valorizar o que já conquistamos. Valorizar onde estamos. Valorizar as pessoas que temos. Valorizar a vida.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A palavra de hoje é: relevar


Relevar
Verbo
1. Sobressair, salientar;
2. Atenuar, perdoar;
3. Dar consentimento para; permitir.

Sou suspeita para falar sobre isso, mas a língua portuguesa e a riqueza dos significados de suas palavras é uma das coisas mais incríveis que existem. É impressionante como uma mesma palavra pode ter sentidos tão diferentes, dependendo da forma como é empregada.

Dizem que a chave para a felicidade é saber relevar as coisas. Mas o que exatamente significa relevar? Fui procurar no dicionário e algumas das definições iniciam este texto.

Certamente, na expressão saber relevar as coisas, o sentido não é o primeiro da lista.
Você está no bar com sua namorada e alguns amigos. Logo que chegou, já reparou de longe que uma das atendentes é uma loira muito gostosa e, sábio, fez questão de sentar de costas para ela para evitar a fadiga.
Murphy era um gênio. É claro que é justamente a gostosa que vai cuidar da mesa de vocês. Na primeira virada dela para ir buscar a cerveja, já começa o zum zum zum na mesa e sempre tem aquele amigo filho da puta que vem mexer justamente com você: "E aí? Gostou da atendente?". A risadaria já começa e você sente, lentamente, os olhos fuzilantes da sua namorada virando em sua direção.
Se saber relevar significar para você salientar, você certamente terá problemas mais tarde.
--- Gostei foi da bunda dela.
Se você preza pelo seu namoro, saber relevar certamente tem o segundo sentido da lista.

Relevar significa abrir mão de determinadas respostas atravessadas, que, apesar de falarem nada além da verdade, às vezes não valem a pena pela dor que causarão em quem a gente ama.

Só que a fronteira entre esse significado e o terceiro, permitir, é bastante tênue. Uma coisa é você simplesmente abrir mão da oportunidade de fazer um comentário infeliz ou desnecessário em consideração ao outro. Outra é o outro começar a achar que por você não se pronunciar, ele tem o direito de fazer o que quiser.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Procurar problemas ou soluções? A escolha é sua!

Existem dois tipos de pessoas neste mundo: as que procuram problemas e as que procuram soluções. Qual você quer ser?

A boa notícia é que sempre temos uma escolha e ela não é irreversível. Dá para muito bem para mudar e desmudar diversas vezes ao longo da vida.

Procurar problemas é mais duro, mais depressivo, mais desanimador, mais perturbador... e terrivelmente mais fácil. Pare agora um minuto e pense tudo o que já aconteceu de ruim para você, tudo o que você gostaria que fosse melhor na sua vida. Ligue a televisão em um telejornal, abra um site informativo... Quantas notícias ruins temos para hoje?

Procurar soluções é ainda mais duro e perturbador... mas mais inspirador, animador e incrivelmente mais recompensador. A gente se sente útil, se sente único, se sente o máximo... a gente sente que tem a rédea da vida nas mãos, ainda que por alguns minutos.


Mas a melhor parte é que, como em raros momentos da vida, a gente sente que está no caminho certo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Alguém aí acredita no amor?

Não paterno, materno ou fraterno... O amor entre duas pessoas, até então, desconhecidas mesmo. Homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher, não importa. O que é o amor?

É de repente você olhar para uma pessoa e começar a pensar em passar o resto da sua vida com ela? E gostar dessa ideia. Mas, por outro lado, ficar com um frio na barriga porque o resto da sua vida é muito tempo, às vezes mais do que você já viveu até agora...

É você não ter mais olhos para ninguém? Querer só ficar, beijar, transar, sair e admirar aquela única pessoa. E contrariar todos os seus instintos físicos que o/a atraem fisicamente para outros/as de vez enquando... Afinal, não somos diferentes dos outros animais e sexo é sexo e amor é amor, como tão bem define a Rita Lee...


É você confiar seus segredos mais íntimos (ou, pelo menos, todos aqueles que você pode contar para a pessoa amada) e depositar toda sua confiança, sentimentos, experiências, alegrias e tristezas nela. É ela ser a pessoa que mais te conhece no mundo. E correr o risco de um dia o amor dela acabar e ela ir embora... quando a gente ama, não tem contrato, nem garantia.

E nem contrapartida, afinal, a gente pode amar sozinho... amar, infelizmente, não implica ser correspondido.

"Amor vem de nós... e demora."

Mas quando é, temos momentos de cúmplicidade e êxtase únicos. Experiências maravilhosas que queremos viver todos os dias das nossas vidas. Talvez daí venha a ideia do "felizes para sempre".

O problema é que amar também implica os dias de ira, de raiva, de revolta, de vontade de largar tudo, de pegar todo mundo, de mandar tomar no cu, de irritar, de discutir, de desmerecer, de sumir, de ficar sozinho. O amor não é feito só das experiências maravilhosas. Aliás, isso é pré-requisito para quem, eventualmente, estiver, neste momento, pensando em começar a amar.

Por isso, talvez, às vezes a gente se frustre com o amor. Porque não dá para extravasar todos esses impulsos do mal com a pessoa que, afinal, a gente ama. Até dá... mas aí tem grandes chances de você nunca mais a ver novamente. E aí voltamos àquela tristeza e insegurança do ser amado ir embora.

Às vezes dá até medo de um dia a gente querer ir embora, não dá? Mesmo sem querer ir embora agora.

Para mim, o amor é o sentimento mais louco e, ao mesmo tempo, viciante que existe.