domingo, 8 de setembro de 2013

Manifesto contra o casamento

Dedico este texto aos vários amigos que já se casaram, estão noivos, ou flertando com o felizes para sempre... ;)

Quem me conhece, sabe que eu tenho uma opinião bem forte a respeito de relacionamentos e, consequentemente, casamentos. Não sou daquelas extremistas que acham que o casamento ainda é aquela antiga criação medieval / católica para acorrentar as pessoas, uma instituição falida. Mas também não acho que o casamento deva ser o único objetivo de longo prazo possível para uma pessoa que queria ser bem sucedida emocionalmente, sob a pena de envelhecer condenada à solidão.

Eu acho que o mundo anda meio estranho. Evoluímos tanto e, ao mesmo tempo, evoluímos nada. Ainda há um enorme caminho para percorrermos, mas é fato que as mulheres andam mais focadas e bem sucedidas em suas carreiras e os gays começam pouco a pouco a conquistar seu digno espaço na sociedade, especialmente nos grandes centros (no interior, ainda temos mais ainda o que evoluir).

Cada vez mais, os homens têm o direito de serem sensíveis e românticos se quiserem e as mulheres, de saírem por aí dando para todo mundo e sendo felizes assim, sem estigmas. Essa quebra de esterótipos é linda! O preconceito ainda é forte, é claro, mas, finalmente pega mal. Isso, por si só, é uma evolução.

Mas, por outro lado, nunca vi tamanho desespero dos jovens de quase 30 anos para casar. É impressionante! É só o casal que namora há algum tempo começar a ter um pouquinho mais de grana, que já começa a pressão para que haja uma data de início dos preparativos. E ai de você se ainda não tiver... Gente, calma! Pra que a pressa?

E o mais curioso é que a pressão não é mais só da vó ou da tia cinquentona. A pressão é do próprio grupo de quase 30 anos. É desesperador, sufocante! Gente que não viveu nada sozinho ainda: a vida inteira morando com os pais, foi da escola para o cursinho e daí para a faculdade, conseguiu um empreguinho nine to five e agora, com a tão sonhada independência financeira, em vez de começar a fazer planos bacanas de realização pessoal, já se enfia numa carga pesadíssima de ter que casar para ser feliz para sempre.

O amor é uma coisa tão linda. São duas pessoas completas, que possuem sua individualidade, que têm planos próprios, vida própria, amor próprio, mas que, ainda que se bastem sozinhas, escolhem viver junto do outro. Por quê? Por amor e ponto final. Não é pelo desespero de envelhecer sozinho, de ter uma família consolidada ou de preencher todas etapas necessárias para uma vida em sociedade bem sucedida. O casal vive junto porque se ama e isso basta.

O status do relacionamento não importa. Se é namorado, enrolado, casado, reconciliado... Tem gente que anda usando uma expressão que eu acho muito engraçada: "Namorido", para quem namora há muito tempo, mas ainda não casou. Meu, por que tem que ter a analogia ao casamento no meio? As pessoas não podem simplesmente estarem juntas há muito tempo ou morarem juntas e serem felizes e ponto? Sendo só namoradas / enroladas / reconciliadas / nenhuma das anteriores? Sem nomes ou rótulos?

Eu acho essa ideia de casamento totalmente desconectada da vida que temos hoje. Não faz o menor sentido. E ainda por cima banaliza uma palavra que deveria ter um significado quase surreal de lindo.

Já pensou se não fosse obrigatório casar? Quando eu digo obrigatório, eu digo socialmente obrigatório... Seria assim: quando você se encontrasse com qualquer um de seus colegas, conhecidos ou amigos, você conversaria sobre um milhão de coisas e projetos pessoais em vez de ficar falando só sobre preparativos de casamento ou ouvindo piadinhas de "como é duro estar encoleirado".

E aí, de repente, em uma reunião qualquer entre amigos, um casal viraria e diria: "Vamos nos casar!". O mundo pararia por alguns segundos e todos em volta iriam olhar para eles com admiração. Notariam os olhos brilhando, a felicidade genuína e uma escolha tomada unicamente com base no amor, sem pressão social, obrigação ou qualquer coisa do gênero.

Você saberia que aquele casal encontrou o amor de uma forma tão completa e intensa, que os dois sentiram ao mesmo tempo que chegara a hora de mostrar seu sentimento para o mundo e tornar público um compromisso que os corações deles já assumiram: o amor para sempre.

Eu acredito em amor para sempre. Acho que uma conexão tão intensa, certeira e até divina (para quem acredita) é possível, sim. Mas isso, minha gente, não é para todo mundo não. O casamento não é para todo mundo! O amor eterno não é para todo mundo! E acho que é essa a realidade que nós ainda temos medo de aceitar.

A questão é: não é porque o amor eterno e o casamento não são para todo mundo que quem não os encontrar nessa vida será fadado à frustração emocional eterna ou à solidão profunda. Existem milhares de outras facetas da vida humana, tão (ou mais) maravilhosas e essenciais para nós. Se o casamento ou o amor eterno não forem para você, outras coisas serão... é só você estar disposto e aberto para descobri-las!

E a ironia é que, para mim, enxergar a vida dessa forma torna o amor eterno e o casamento muito mais bonitos, muito mais verdadeiros, muito mas próximos do que eles deveriam ser...

P.S.:  Aos meus queridos amigos de quase 30 anos, casados, noivos ou com planos de se casar: desejo a vocês um amor de verdade, livre de pressões sociais e culturais, e também muitas alegrias individuais. Não deixem a individualidade de vocês de lado só porque estão juntos. Ser completo por si só torna a parceria muito mais leve, carinhosa e recompensadora, como ela tem que ser. :)