quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Boa noite!

E aí um dia você está deitada no sofá da sua casa, tomando uma cerveja depois de um dia comprido, cheio de estresse e correria. Este não é o dia mais feliz da sua vida. Nem de longe. Neste mesmo dia, você se cobrou, se culpou, ficou ansiosa, chegou atrasada, não fez tudo o que se propôs a fazer (novidade...) e até almoçou Mc Donald's, recuperando magicamente todas as calorias que perdeu nas três horas de dança do dia anterior. Parabéns!

Mas quando olha para os lados, no meio das caixas da mudança que já faz um mês e você ainda não conseguiu arrumar, toda aquela bagunça faz sentido. Não só a bagunça da sala; a bagunça da vida, da cabeça e do coração fazem mais sentido do que nunca. Você ainda não faz a menor ideia do que vai ser da sua vida. Você não sabe se está no caminho certo, se fez todas as escolhas certas (certamente que não). Mas, bizarramente, é tomada por uma incrível sensação de paz...

O gato está te irritando porque fica mordendo o seu cabelo (aliás, falando em cabelo, vê se consegue acordar mais cedo amanhã porque já passou da hora de lavá-lo). O relógio já mostra que a hora ideal de dormir já passou faz tempo. A cabeça está cheia porque amanhã vai começar mais um dos 34734673 frilas que você faz para tentar compensar a zona que a nova vida de baladas fez no seu orçamento deste ano (é, você vai ter que acordar cedo de qualquer jeito... se você tivesse acreditado no seu mapa astral, você teria segurado um pouco a grana que gastou no fervo. Aliás, você, que trabalha escrevendo sobre finanças pessoais poderia ter como meta de 2015 organizar melhor as suas finanças. Fica a dica!).

Mais cedo, você ouviu da médica dermatologista (que está tratando a sua alergia decorrente do estresse e do remédio da sua úlcera, também decorrente do estresse) que a vida em São Paulo faz isso com a gente. Você sabe bem o que a vida em São Paulo faz com a gente, não é mesmo? Você já fugiu dela por um tempo, inclusive... mas acabou descobrindo que você adora essa loucura e essa hiperatividade. Talvez porque você seja tão louca e hiperativa quanto a cidade em que você mora.

A médica recomendou que você reserve todos os dias pelo menos meia-hora para você. Só para você. Mas que raio de conselho é esse? Não que a médica esteja errada (ela está certíssima... tem dias em que você corre tanto que não reserva nem cinco minutos só para você: toma banho pensando no horário, come pensando no que ficou para trás, dorme assistindo seu seriado favorito), mas esse tipo de recomendação só mostra a merda de vida que a gente está levando hoje em dia. É isso mesmo o que você quer para a sua vida?

E no meio de tanta coisa errada, tanta coisa sem sentido, hoje você vai dormir só pensando em uma coisa: em como está feliz por sua vida ter virado uma zona e recuperado todo o sentido.

Agora minha casa nova tem flores. :) Viu, Ju?