domingo, 15 de março de 2015

A arte de tomar decisões difíceis, mas necessárias

Às vezes a vida nos surpreende com a necessidade de tomar uma decisão difícil. Da primeira vez que nos deparamos com essa necessidade, nos assustamos: parece grande demais, dificil demais, doído demais. Fugimos dela.

No fundo, sabemos que não há outro caminho a seguir e, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que dar o primeiro passo em direção a ele. Mas, ainda assim, adiamos a decisão, alimentando alguma esperança de que uma luz do céu vai descer para nos poupar daquela escolha. Vamos empurrando com a barriga. Não estamos prontos ainda.

Mas a luz não desce. O tempo passa e nada acontece. Tudo o que fazemos dá errado e parece que a vida para de fluir. Apegados, estamos presos ao medo de tomar a decisão que precisamos tomar, apesar de saber que é exatamente por isso que as coisas travam. Ficamos putos, mas, na verdade, tudo isso é obra da vida, paciente, esperando nosso tempo de aprender antes de nos liberar para a próxima fase.

Tentamos ignorar a tomada de decisão, jogá-la para outras pessoas. Criativos, criamos até outras alternativas, mas quando percorremos os caminhos secundários, percebemos que eles dão no mesmo lugar de onde saímos: frente-a-frente com o caminho principal.

Sofremos, choramos e, às vezes, até nos desesperamos. Não queremos, de jeito algum, fazer aquilo. Não queremos fazer o que temos que fazer, o que precisamos fazer, apesar de estarmos sofrendo. Por um tempo, deixamos de confiar na vida e entender que, por mais que não pareça, essa é realmente a melhor coisa que podemos fazer naquele momento.

Até que chega um dia, meio despretensioso, chuvinha na janela, gente com discurso de ódio na Paulista... que merda de dia! E você, simplesmente, percebe que chegou a hora. Você está pronta para tomar a decisão que há tanto tempo vinha adiando.

E toma. E dói. E é tão horrível quanto você imaginou.

Mas, quase que instantaneamente, no meio de toda aquela tristeza, começa a surgir, lá no fundo, uma aliviadora sensação de paz. Um sentimento de que você, finalmente, fez o que precisava fazer. Viva!

Exausta, você vai dormir... mas com uma estranha sensação. É como se uma pessoa querida estivesse passando a mão na sua cabeça, orgulhosamente, te acalmando depois de um dia que ela sabe que foi muito difícil para você. E dentro de você, você escuta: "Você foi ótima, mas agora, não é mais com você. Deixa com a vida!"

Nosso coração é sábio demais. A gente devia aprender logo a confiar nele desde o começo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sobre coisas que a gente procura e não encontra

Às vezes a gente sai de casa procurando uma coisa, mas não encontra. Por mais persistente que você seja (não achou aqui? Então anda mais um pouquinho para ver se acha mais ali na frente...), não adianta. Você pode até demorar um pouco para reconhecer, mas o fato é que você não vai encontrar o que está procurando. A batalha está perdida. Pelo menos, a de hoje.

Pessoas, como eu, que acreditam que todos nós somos capazes de tudo têm uma dificuldade maior de assumir derrotas. Otimistas irremediáveis, acreditamos sempre que existe uma luz no fim do túnel, um caminho escondido que não percorremos ainda, um insight iluminado, uma chance.

Interpretamos todos os sinais que a vida dá (e eu acredito muito que a vida nos dá sinais) da forma que é mais conveniente com o que esperamos, com o que queremos que aconteça. E, não contentes, manipulamos, inconscientemente, cada um desses sinais como novas justificativas para a nossa ideia fixa.

Depois de tanto bater a cabeça, inseguros, acabamos nos abrindo com os amigos. Parece que estamos buscando colo ou conforto, mas a realidade é que, teimosos, ainda estamos procurando o que queremos encontrar. Quando pedimos conselho às pessoas queridas, estamos buscando, na verdade, apoio para a nossa ideia, ainda na tentativa de nos agarrar a uma eventual possibilidade perdida.

"Sinceramente? Você deveria desistir."
"Não quero ver você sofrer mais. Desencana."
"Você merece coisa melhor."
"Você é muito cabeça dura."
"Você está idealizando suas expectativas."

E se você também argumenta bem, aí é pior ainda. Você ouve a real, mas não aceita de forma alguma. Insiste numa procura infinita de novos e novos fatores a acrescentar na discussão para tentar legitimar a sua busca. Para tentar mudar a opinião do amigo conselheiro e, mais uma vez, conseguir um novo apoio para continuar procurando.

E, se você é metido a intuitivo, o caso é praticamente perdido. Tudo o que você sentir a partir daquele maldito dia (em que a busca se tornou uma ideia fixa) vai te fazer ponderar se aquele calorzinho no coração é mesmo um "não desista, siga em frente" ou um "estou esquentando porque não aguento mais tanta burrice".

Ironia do destino, o sentimento físico gerado pela intuição é bem parecido com o decorrente da ansiedade. Resumindo: até agora não sei dizer. Intuição ou ansiedade?

Ontem saí de casa procurando uma coisa. Fui a quatro lugares diferentes e, no último, ainda fiquei indo e voltando pelo corredor procurando, mesmo sabendo que o que eu queria também não estava ali e era hora de desistir.

Tupperware estilo Ziploc de 600ml. Se alguém encontrar por aí, me avisa. Estou procurando.