Uma das principais lições que um pai e uma mãe devem deixar para seus filhos é a capacidade de aceitar seus fracassos. Na verdade, de aceitar a natureza humana do fracasso. O fracasso é o que nos faz rever nossas atitudes, sair do piloto automático e refletir, para então andar pra frente, evoluir.
Vejo muito um dos dois casos: (i) Os pais que são exigentes com os filhos na escola e exigem que eles tirem notas excepcionais, esforçando-se sobremaneira para um dia tornarem-se, quem sabe, gênios; e (ii) Os pais que, na contramão dessa ditadura da perfeição, deixam os filhos livres ou largados (são duas situações diferentes!), à mercê das próprias vontades, deixando espaço para que a escola fique em segundo plano, se essa for a vontade dos filhos.
O curioso é perceber que em ambos os casos, os pais estão, consciente ou inconscientemente, poupando seus filhos do fracasso. No primeiro caso, a exigência extrema, a cobrança incessante, a busca pelo primeiro lugar no pódio, a perfeição. A negação do fracasso. No segundo caso, não há cobranças, não há metas, não há objetivo a ser atingido. Logo, se não há vitória, como haverá fracasso?
Como em tudo nessa vida, a chave para essa questão é o equilíbrio. Nem extrema exigência, nem extrema indiferença. As pessoas precisam ser criadas para entender (e aceitar!) a derrota, entender e aceitar que às vezes (muitas vezes!) não chegamos e nem vamos chegar lá. Entender e aceitar que a vida é feita de vitórias, a serem almejadas e buscadas, mas também de derrotas.
E entender e aceitar que a vida também é feita de derrotas significa viver essas derrotas. Experimentá-las. E não fugir delas ou ignorá-las com um simples “no fim tudo dá certo, se não dar certo, não chegou ao fim”. Sofrer, sentir falta, não entender “o que deu errado” faz parte da natureza humana. O fracasso faz parte da natureza humana. Precisamos experimentar isso, vivenciar isso, passar por isso e enfrentar isso. Nessa ordem.
Um estudante tem que fazer o seu melhor para atender seus compromissos escolares. Esforçar-se, dividir seu tempo, abrir mão de alguns fins de semana, questionar, ler, repetir... Fatigar-se de tanto estudar. Ou não. Mas deve haver limites... O limite do sono, o limite do tempo de concentração, o limite do saco cheio, o limite da fome, o limite do lazer. O limite do querer saber, o limite de se superar, o limite de fazer uma forcinha, o limite de esforçar-se, o limite de querer ser alguém na vida.
Resumindo, o estudante, como qualquer pessoa, deve dar o seu melhor... Mas dar o seu melhor, não significa dar tudo, abrir mão de tudo, bitolar. Muito menos não dar nada, não abrir mão de nada, acomodar. Significa fazer tudo o que estava ao seu alcance, tudo o que era possível naquele momento.
Para então, chegar na prova no dia seguinte e errar, acertar... Errar, errar, acertar... Errar, errar e errar. Não saber! Deixar uma questão em branco. Quantas vezes ainda a vida lhe fará perguntas cuja resposta que será dada será um longo e profundo silêncio?
O importante é ter em mente que dar o melhor, fazer todo o possível e tudo o que estava ao alcance são conceitos extremamente relativos. Mudam totalmente de pessoa para pessoa, de momento para momento, de contexto para contexto. Não estou pregando aqui o fim das ambições, a vida morna... Muito pelo contrário. Sou uma pessoa de metas e objetivos e acho que é isso o que motiva e dá sentido à nossa vida.
Mas muitas vezes “o melhor”, “tudo o que era possível e estava ao alcance” não é suficiente naquele momento. Não é suficiente para atingir a média escolar e não será suficiente amanhã para se passar no vestibular, conseguir aquele emprego, fazer durar um casamento, manter o controle dos seus sentimentos. E aí? Vai ser o fim do mundo? A depressão profunda?
Isso é muito duro de entender, especialmente quando estamos passando por determinadas situações. Mas aqueles que conseguirem compreender o quanto antes essa dinâmica fundamental da vida, certamente conseguirão viver de forma mais leve e, principalmente, com menos cobranças... Próprias e dos outros. Talvez até mais próximos da felicidade.
O segredo é ir deitar, sempre que possível (afinal, o fracasso faz parte!), com a leveza de consciência dos justos: a sensação real de que você realmente deu o seu melhor para a prova do dia seguinte, a entrevista de emprego, a conversa avassaladora ou o simples despertar. Não importa se o seu melhor, naquele momento, foi estudar cinco minutos antes de pegar o ônibus, ou ler por dias seguidos todo o site da companhia almejada, ou esquecer da conversa definitiva do dia seguinte. Também não importa se estudar cinco minutos foi suficiente, se devorar o site corporativo não foi, se a conversa acabou não acontecendo ou se você não conseguiu sair da cama.
As consequências de nossos atos virão. Boas ou ruins. E não há nada o que possamos fazer para mudar ou impedir isso. O que podemos, e devemos, fazer é nos preparar para essas consequências, desde já, aceitando que elas virão.
Há poucas certezas nessa vida, então vamos aproveitar que esta é uma delas: Ela será repleta de vitórias e de derrotas. Não há como fugir, nem de uma e nem de outra. Sejamos fiéis a nossa essência, vontade e objetivos. Dessa forma, não perderemos mais tempo tentando adivinhar a frequência com que essas vitórias e derrotas se alternarão.
Esperar que algo “com certeza vá dar certo” ou “com certeza vá dar errado” não é nada além disto: Tentar adivinhar uma sequência aleatória (ou não!) de fatos e consequências, perdendo um precioso tempo com isso... Um precioso tempo durante o qual nós poderíamos estar... vivendo!
Um espaço para esvaziar a cabeça, depositar os pensamentos e abrir espaço para o novo.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ficção e realidade
Sou filhote da geração Harry Potter. Sim, é verdade. Fico sempre me colocando no lugar da J.K. Rowling e imaginando como é ser a criadora de um universo como esses. Onde tudo acontece conforme você imagina. Não há limites, nem julgamentos. A vida, ao menos daquelas personagens, é totalmente controlada por você.
Uma das coisas que mais me incomoda nessa coisa que é a vida é justamente a falta de controle. Toda vez que a minha vida sai do eixo (ou seja, com uma frequência relativamente elevada, afinal, defina eixo?), era como se acontecesse um curto circuito dentro de mim. Junte a isso a ideia de que eu sou um ser pensante.
Você deve estar pensando agora que todos somos, mas quando eu digo isso eu quero dizer que eu sou realmente um ser pensante. Eu penso em tudo, não desligo. Desde minhas questões existenciais, até o que eu tenho que entregar no trabalho amanhã, os objetivos que ainda não alcancei, a vida que eu quero ter e a conta de celular que vence depois de amanhã. É um fluxo sem fim, sem sossego.
Ou seja, eu sou um curto circuito constante e ambulante. Logo, chegou uma hora que eu pifei! É terrível pifar... Não recomendo para ninguém. Mas é mais terrível ainda para aquelas pessoas que não se dão o direito de pifar... Os superhomens, as supermulheres, a perfeição, o politicamente correto, aquele que dá conta de tudo.
Por bem ou por mal, todo mundo um dia vai descobrir que não dá conta de tudo (Afinal, defina dar conta, defina tudo...). E esse dia chegou para mim. Com 25 anos, eu percebi que não dei conta de tudo. Pior, que eu não dou conta de tudo... Pior ainda, que nunca vou dar... AAAAA!
Calma, respirando. Está tudo bem. Para nem eu e nem você nos jogarmos da próxima janela que virmos aberta, nós precisamos arrumar um jeito de lidar com isso nas nossas vidas. E um dos jeitos que eu arrumei foi adotar para mim uma penseira.
Os fãs de Harry Potter, como eu, já entenderam. Mas para quem não conhece esse termo, pode ficar tranquilo que é muito simples. Imagine se depois de um looongo dia de estresse, trânsito, pressão, trabalho, cobrança, saídas do eixo e descontrole você pudesse chegar em casa e esvaziar sua cabeça. Literalmente esvaziar... Tirar tudo, esquecer de tudo e... Aproveitar. Relaxar. Usar seu pouco tempo livre do dia para você. Sem preocupações, sem ansiedade...
Não seria maravilhoso? E no dia seguinte, quando tudo começasse de novo, era só pegar todos os seus pensamentos de volta. Mas apenas os que você realmente fosse usar. Todo o resto, desnecessário naquele momento, ficaria lá. Se você precisar do restante no futuro, ele estará lá... Mas o que você não precisar ficará lá. E somente lá... e não lhe fará mais mal. Essa é a fantástica ideia da penseira, criada por Alvo Dumbledore, o bruxo dos bruxos, tutor de Harry Potter.
Ficção é ficção, realidade é realidade. A grande graça que eu via em Harry Potter ficou com o término da minha adolescência. Mas trouxe para esse início de vida adulta essa ideia da penseira, que é genial. É o resumo de todas as terapias, todas as mensagens positivas, todos os livros de autoajuda.
Apresento aqui a minha penseira materializada. Espero que ela sirva como um convite para que vocês também criem as suas penseiras... Seja num blog, seja num livro, seja num ombro amigo, seja no silêncio do quarto antes de dormir...
Vamos nos esvaziar? O raciocínio é idiota, mas só assim, vamos conseguir nos encher novamente. :)
Uma das coisas que mais me incomoda nessa coisa que é a vida é justamente a falta de controle. Toda vez que a minha vida sai do eixo (ou seja, com uma frequência relativamente elevada, afinal, defina eixo?), era como se acontecesse um curto circuito dentro de mim. Junte a isso a ideia de que eu sou um ser pensante.
Você deve estar pensando agora que todos somos, mas quando eu digo isso eu quero dizer que eu sou realmente um ser pensante. Eu penso em tudo, não desligo. Desde minhas questões existenciais, até o que eu tenho que entregar no trabalho amanhã, os objetivos que ainda não alcancei, a vida que eu quero ter e a conta de celular que vence depois de amanhã. É um fluxo sem fim, sem sossego.
Ou seja, eu sou um curto circuito constante e ambulante. Logo, chegou uma hora que eu pifei! É terrível pifar... Não recomendo para ninguém. Mas é mais terrível ainda para aquelas pessoas que não se dão o direito de pifar... Os superhomens, as supermulheres, a perfeição, o politicamente correto, aquele que dá conta de tudo.
Por bem ou por mal, todo mundo um dia vai descobrir que não dá conta de tudo (Afinal, defina dar conta, defina tudo...). E esse dia chegou para mim. Com 25 anos, eu percebi que não dei conta de tudo. Pior, que eu não dou conta de tudo... Pior ainda, que nunca vou dar... AAAAA!
Calma, respirando. Está tudo bem. Para nem eu e nem você nos jogarmos da próxima janela que virmos aberta, nós precisamos arrumar um jeito de lidar com isso nas nossas vidas. E um dos jeitos que eu arrumei foi adotar para mim uma penseira.
Os fãs de Harry Potter, como eu, já entenderam. Mas para quem não conhece esse termo, pode ficar tranquilo que é muito simples. Imagine se depois de um looongo dia de estresse, trânsito, pressão, trabalho, cobrança, saídas do eixo e descontrole você pudesse chegar em casa e esvaziar sua cabeça. Literalmente esvaziar... Tirar tudo, esquecer de tudo e... Aproveitar. Relaxar. Usar seu pouco tempo livre do dia para você. Sem preocupações, sem ansiedade...
Não seria maravilhoso? E no dia seguinte, quando tudo começasse de novo, era só pegar todos os seus pensamentos de volta. Mas apenas os que você realmente fosse usar. Todo o resto, desnecessário naquele momento, ficaria lá. Se você precisar do restante no futuro, ele estará lá... Mas o que você não precisar ficará lá. E somente lá... e não lhe fará mais mal. Essa é a fantástica ideia da penseira, criada por Alvo Dumbledore, o bruxo dos bruxos, tutor de Harry Potter.
Ficção é ficção, realidade é realidade. A grande graça que eu via em Harry Potter ficou com o término da minha adolescência. Mas trouxe para esse início de vida adulta essa ideia da penseira, que é genial. É o resumo de todas as terapias, todas as mensagens positivas, todos os livros de autoajuda.
Apresento aqui a minha penseira materializada. Espero que ela sirva como um convite para que vocês também criem as suas penseiras... Seja num blog, seja num livro, seja num ombro amigo, seja no silêncio do quarto antes de dormir...
Vamos nos esvaziar? O raciocínio é idiota, mas só assim, vamos conseguir nos encher novamente. :)
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