domingo, 28 de outubro de 2012

Ouvir... uma missão quase impossível.

Feche os olhos agora por 10 segundos e preste atenção no que você está ouvindo. O som do prato batendo na pia, do passarinho cantando lá fora, do ventilador ligado neste calor, do latido do cachorro lá no fundo. Tenho certeza de que você ainda não havia reparado em alguns desses sons antes de começar a ler este post.

O programa chato de TV, as abobrinhas do chefe, o sermão da mãe, a reclamação do amigo, a frescurinha da namorada... Que atire a primeira pedra quem nunca viveu no "acelerando mode on" do Click, sabe? Sempre quando a vida ficava chata, o personagem do Adam Sandler acelerava a vida com um controle remoto para o tédio passar mais rápido.

Tédio. Talvez seja a principal causa para nós não ouvirmos as pessoas à nossa volta. E como é difícil ouvir. Mas ouvir de verdade. Prestar atenção em cada uma das palavrinhas que saem daquela boca que está abrindo e fechando sem parar. Palavrinhas cheias de importância, indiretas, desabafos, sentidos, valores, julgamentos, experiências.

O mais chato de ouvir os outros é que a gente não controla o que os outros falam. Não adianta querer falar de cinema quando a turma está toda empolgada com o último jogo de futebol. Não adianta querer falar sobre o que se está sentindo quando o outro está defendendo seus interesses compulsivamente, sem deixar espaço para você.

Ouvir significa deixar o outro falar. E o mais difícil: Significa não pensar em o que você quer falar a seguir. E ainda pior: Significa não querer interromper o pensamento do outro porque você acha exatamente o contrário do que o que ele está falando.

Significa dar espaço para as ideias contrárias, absurdas, para os erros crassos, para as abobrinhas, para o óbvio, para o sem sentido... Para o que, na verdade, tem todo o sentido do mundo para o outro. Significa não julgar enquanto se escuta, perdendo-se no julgamento interno e perdendo de conhecer de verdade quem está do seu lado todos os dias.

Ouvir é um duro exercício diário de paciência. E o mais ingrato é que é um exercício que tem que ser aplicado dos dois lados. Não adianta só você ouvir e não conseguir ser ouvido em seguida. Isso dá raiva e cria uma espiral sem fim... Já que você não consegue falar, porque vai ouvir da próxima vez?

Ouvir... Boa parte dos problemas do mundo seriam resolvidos se trocássemos mais, respeitássemos mais... se tivéssmos mais paciência e fôssemos mais tolerantes. Se pré-julgássemos menos. Precisamos nos ouvir mais!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma nova chance a cada dia

Não tem como ter um blog sobre seus próprios pensamentos e não falar sobre a eterna questão humana da busca da felicidade. Na real, todo mundo está em busca dela. Seja consciente ou inconscientemente. Sempre tem algo que a gente quer... Dinheiro, trabalho, viagem, paz, namorado.

Na verdade, a gente sempre quer o que não tem, né? O ser humano é um verdadeiro saco sem fundo por natureza. Muito prazer, essa sou eu! E aí, a felicidade está sempre naquilo que a gente não tem, naquilo que é impossível, intangível.

A questão é que a felicidade, na realidade, está onde a gente a coloca. Então, por que insistimos em colocá-la naquilo que ainda não temos? Em vez de ficar a vida inteira correndo atrás do rabo e erguendo a barra da felicidade cada vez que atingimos a próxima etapa, por que simplesmente não a colocamos em algo que já temos? Por que simplesmente não olhamos para o lado bom da nossa vida?

Todos os dias que a gente acorda, a gente tem uma nova chance de fazer algo diferente. Todos os dias! Só que a gente acaba se acostumando com esse eterno recomeço de modo que a gente esquece que ele é um recomeço. Vamos dormir pensando na hora de acordar e, depois que acordamos, passamos o dia pensando na hora de dormir.

Não tem fim. Não é esse o caminho.

Cada dia um recomeço, cada dia uma nova chance. Se nada deu certo hoje, você tem o amanhã. Se tudo deu certo hoje, o amanhã pode ser ainda melhor. E se não for, há sempre o depois de amanhã.

Esse sim é o verdadeiro caminho para a felicidade. E é isso o que temos que perceber o quanto antes possível. Porque, afinal, o dia sem amanhã vai chegar. E aí? De que valeu tudo?