Fiz um rápido mapa mental agora de manhã:
REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL:
Acho que sou a favor, como medida paliativa. Confesso que estou um pouco confusa, após ouvir bons argumentos do lado de quem é contra (do tipo que os maiores passarão a aliciar menores de 16 anos para o crime, o sistema carcerário brasileiro já não se aguenta do jeito que tá e mais uma medida paliativa não resolve a verdadeira causa do problema: a injustiça social que impera no Brasil). De qualquer forma, só a redução não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.LEGALIZAÇÃO DO ABORTO:
A favor. Sou contra o aborto em casos normais (tipo eu ficar grávida agora por acidente. Fez merda? Arque! E trate de amar muito o seu filho!). Mas só quem passa pela situação sabe qual o peso de se carregar o filho de um estupro na barriga. Sem contar a questão de saúde pública: os abortos vão continuar acontecendo independentemente de sua legalização. Que seja pelo menos de forma segura para as mulheres e mais barata para o sistema de saúde. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
LEGALIZAÇÃO DA MACONHA:
A favor. Galera hipócrita que faz vista grossa para o alcoolismo em nome das cervejas do fim de semana e aponta o dedo na cara de quem fuma um. Tenho experiências familiares de vício em álcool e em drogas e não sei dizer qual foi mais traumática. Sem contar o combate ao tráfico e suas consequências sociais. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
LEGALIZAÇÃO DE OUTRAS DROGAS:
Por enquanto, contra. Tem muita porcaria (nociva demais para nossa saúde) dentro desse universo "outras drogas". Mas estou aberta a discutir com alguém que queira defender alguma delas, afinal, acho que essa é a única forma de acabar com o tráfico e suas consequências sociais. Mas, só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
CASAMENTO E ADOÇÃO POR GAYS:
A favor. Nem preciso falar, né? A luta e o sofrimento dos gays de hoje é a mesma das mulheres de meio século atrás (e ainda nos dias de hoje, na verdade, apesar de várias conquistas). Não tem como eu não me solidarizar. O preconceito e o conservadorismo que ainda predominam na sociedade brasileira seriam fortemente combatidos com uma reforma estrutural na educação.
DESARMAMENTO:
Votei contra. Para mim, portar arma não reduz em nada a violência, mas o fato de o porte não ser legalizado hoje não passa de um atestado para o bandido de que o cidadão "de bem" não terá uma arma. E o bandido a gente sabe que sempre vai ter graças ao tráfico e suas consequências sociais. Mas liberar o porte de arma não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
E, pensando bem, a proibição também não. Percebi que, para mim, fazer esse questionamento em um país com problemas sociais tão grandes e enraizados não faz sequer sentido. Tanto faz! Meu voto no referendo foi guiado por uma causa maior: a necessidade de uma reforma estrutural na educação, que fatalmente reduzirá a violência a partir das opções que serão dadas às pessoas que vivem hoje na criminalidade.
COTAS NAS UNIVERSIDADES:
A favor, como medida paliativa. Mas um Brasil ideal é um Brasil sem cotas, onde todo mundo tem oportunidades iguais. Conclusão: só as cotas não adiantam nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
BOLSA FAMÍLIA:
A favor, como medida paliativa. Acho que é muito fácil criticar o assistencialismo do PT e acusar os pobres de "mamar na teta do governo" quando o seu armário tá cheio e você nunca passou fome na vida. A gente não sabe o que é isso, minha gente! Mas um Brasil ideal é um Brasil sem Bolsa-Família, onde todo mundo tem acesso ao mínimo para viver com dignidade. Assim, só o Bolsa-Família não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.
Depois de tudo isso, cheguei à conclusão de que existe, sim, uma mesma lógica para todos os meus posicionamentos em questões polêmicas:
- Apoiar uma ação imediata, mesmo que não seja ideal, para apagar os incêndios;
- Defender uma ação de longo prazo efetiva, que realmente sane a causa do problema.
Acho que, finalmente, temos um consenso nesse post. Nunca conheci alguém que se declare contrário a uma reforma estrutural na educação brasileira. Mas o grande problema é que a maioria das pessoas que podem fazer alguma coisa em relação a isso (leia-se eu e você) se isenta dessa responsabilidade.
Logo, chego à conclusão definitiva deste post: o comodismo, a preguiça e o egoísmo são as causas principais de TODOS os problemas sociais que temos no Brasil.
O assassino do Victor não é o menor de 18 anos que já aprendeu a cometer crime de adulto. O assassino do Victor somos eu, você e todo mundo que não levantar todos os dias da cama inconformado e obstinado em fazer tudo o que puder para tornar o Brasil um país melhor. Para todos!




