quarta-feira, 17 de abril de 2013

O assassino do Victor pode muito bem ser você...

Essa discussão toda sobre a redução da maioridade penal para 16 anos, que voltou à tona após o assassinato do Victor na porta de casa na semana passada, me fez refletir um pouco sobre se existe alguma lógica nas minhas posições em temas polêmicos.

Fiz um rápido mapa mental agora de manhã:

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL:
Acho que sou a favor, como medida paliativa. Confesso que estou um pouco confusa, após ouvir bons argumentos do lado de quem é contra (do tipo que os maiores passarão a aliciar menores de 16 anos para o crime, o sistema carcerário brasileiro já não se aguenta do jeito que tá e mais uma medida paliativa não resolve a verdadeira causa do problema: a injustiça social que impera no Brasil). De qualquer forma, só a redução não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO:
A favor. Sou contra o aborto em casos normais (tipo eu ficar grávida agora por acidente. Fez merda? Arque! E trate de amar muito o seu filho!). Mas só quem passa pela situação sabe qual o peso de se carregar o filho de um estupro na barriga. Sem contar a questão de saúde pública: os abortos vão continuar acontecendo independentemente de sua legalização. Que seja pelo menos de forma segura para as mulheres e mais barata para o sistema de saúde. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA:
A favor. Galera hipócrita que faz vista grossa para o alcoolismo em nome das cervejas do fim de semana e aponta o dedo na cara de quem fuma um. Tenho experiências familiares de vício em álcool e em drogas e não sei dizer qual foi mais traumática. Sem contar o combate ao tráfico e suas consequências sociais. Mas só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

LEGALIZAÇÃO DE OUTRAS DROGAS:
Por enquanto, contra. Tem muita porcaria (nociva demais para nossa saúde) dentro desse universo "outras drogas". Mas estou aberta a discutir com alguém que queira defender alguma delas, afinal, acho que essa é a única forma de acabar com o tráfico e suas consequências sociais. Mas, só a legalização não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

CASAMENTO E ADOÇÃO POR GAYS:
A favor. Nem preciso falar, né? A luta e o sofrimento dos gays de hoje é a mesma das mulheres de meio século atrás (e ainda nos dias de hoje, na verdade, apesar de várias conquistas). Não tem como eu não me solidarizar. O preconceito e o conservadorismo que ainda predominam na sociedade brasileira seriam fortemente combatidos com uma reforma estrutural na educação.

DESARMAMENTO:
Votei contra. Para mim, portar arma não reduz em nada a violência, mas o fato de o porte não ser legalizado hoje não passa de um atestado para o bandido de que o cidadão "de bem" não terá uma arma. E o bandido a gente sabe que sempre vai ter graças ao tráfico e suas consequências sociais. Mas liberar o porte de arma não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

E, pensando bem, a proibição também não. Percebi que, para mim, fazer esse questionamento em um país com problemas sociais tão grandes e enraizados não faz sequer sentido. Tanto faz! Meu voto no referendo foi guiado por uma causa maior: a necessidade de uma reforma estrutural na educação, que fatalmente reduzirá a violência a partir das opções que serão dadas às pessoas que vivem hoje na criminalidade.

COTAS NAS UNIVERSIDADES:
A favor, como medida paliativa. Mas um Brasil ideal é um Brasil sem cotas, onde todo mundo tem oportunidades iguais. Conclusão: só as cotas não adiantam nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

BOLSA FAMÍLIA:
A favor, como medida paliativa. Acho que é muito fácil criticar o assistencialismo do PT e acusar os pobres de "mamar na teta do governo" quando o seu armário tá cheio e você nunca passou fome na vida. A gente não sabe o que é isso, minha gente! Mas um Brasil ideal é um Brasil sem Bolsa-Família, onde todo mundo tem acesso ao mínimo para viver com dignidade. Assim, só o Bolsa-Família não adianta nada se não houver uma reforma estrutural na educação.

Depois de tudo isso, cheguei à conclusão de que existe, sim, uma mesma lógica para todos os meus posicionamentos em questões polêmicas:
  1. Apoiar uma ação imediata, mesmo que não seja ideal, para apagar os incêndios;
  2. Defender uma ação de longo prazo efetiva, que realmente sane a causa do problema.
A partir desse raciocínio, consegui reforçar um outro posicionamento meu bastante forte: só existe uma ação possível para resolver TODOS os problemas sociais do Brasil: uma reforma estrutural na educação.

Acho que, finalmente, temos um consenso nesse post. Nunca conheci alguém que se declare contrário a uma reforma estrutural na educação brasileira. Mas o grande problema é que a maioria das pessoas que podem fazer alguma coisa em relação a isso (leia-se eu e você) se isenta dessa responsabilidade.

Logo, chego à conclusão definitiva deste post: o comodismo, a preguiça e o egoísmo são as causas principais de TODOS os problemas sociais que temos no Brasil.

O assassino do Victor não é o menor de 18 anos que já aprendeu a cometer crime de adulto. O assassino do Victor somos eu, você e todo mundo que não levantar todos os dias da cama inconformado e obstinado em fazer tudo o que puder para tornar o Brasil um país melhor. Para todos!


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Por que estamos neste mundo?

Você já se perguntou por que você está neste mundo? Pelo menos, já pensou nisso alguma vez na vida, vai? Vou supor que sim em nome da minha sanidade mental, porque esse é um questionamento existencial que me persegue já há não sei quanto tempo... talvez desde sempre.

Nos momentos piores, mais difíceis e tristes, bate o vazio. Nada tem sentido, as coisas são bestas. O mundo é besta... se você assistir ao Jornal Nacional então... ou lembrar do nosso presidente da Comissão de Direitos Humanos, do Senado... a gente não percebe como é forte por não se jogar da primeira sacada que aparece por conta disso.

Nos momentos neutros, o nome já diz: a gente não pensa nessas coisas. Mas o que me intriga é a intensidade da plenitude que nos preenche nos momentos felizes ou naqueles em que sentimos que acabamos de fazer a coisa certa (infelizmente, nem sempre eles coincidem, mas, para mim, a sensação é parecida nas duas situações). É assim também com vocês?

Eu sinto como se eu tivesse nascido só para isso, exatamente para isso: para a felicidade. É como se ser feliz e fazer o bem fosse a regra e todo o resto, apesar de maioria, a exceção.