terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eu quero um amor

Eu quero um amor que me dê frio na barriga
Eu quero um amor que me encoraje a correr atrás dos meus sonhos
Eu quero um amor que me dê força para ir contra todo mundo
Eu quero um amor que me encha os dias de tesão
Eu quero um amor que me faça feliz em Paris ou debaixo da coberta no sofá
Eu quero um amor que me inspire a tocar violão
Eu quero um amor que me grite quando eu fizer gol
Eu quero um amor que me lembre todos os dias o quanto eu sou incrível
Eu quero um amor que me faça rir de mim mesma
Eu quero um amor que me estimule a experimentar coisas diferentes
Eu quero um amor que me leve para dançar
Eu quero um amor que me instigue a abrir a cabeça
Eu quero um amor que me perceba cantando sozinha andando na rua e ache graça
Eu quero um amor que me admire por eu querer os outros bem
Eu quero um amor que me provoque quando eu estiver acomodada
Eu quero um amor que me olhe no espelho e me veja linda todos os dias - ou quase todos
Eu quero um amor que me aceite do jeito que eu sou...
Mas que às vezes também esfregue meus defeitos na cara e me ajude a ser uma pessoa melhor

Eu quero um amor que me baste

Com sorte, o amor que tanta gente procura pode até vir de outra pessoa. Mas o negócio mesmo é perceber que ele também vem de nós para nós mesmos.

Se você ler este texto de novo com isso na cabeça, vai perceber que você pode ser bem mais completo do que imagina.

Beijos, sociedade! :)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Felicidade no gatilho

Happiness hit her
Like a bullet in the head



Passamos a vida ouvindo o que devemos fazer para sermos felizes. A felicidade, além de uma obrigação social, é tida como um estágio pleno que um dia será alcançado pelos merecedores.

E depois ainda temos dúvida do porquê andamos tão frustrados. Não se assuste, mas as pessoas mais equilibradas que conheço encaram a felicidade como uma bala que, hora ou outra, vai atingir a cabeça delas. Acho essa metáfora incrível. Forte, curiosa e precisa.

Calma! Este não é um texto suicida.

Imagine que você está em um campo de batalha, arma em punho. Tem uma estratégia na cabeça. Já atacou, já foi atacado. Está se preparando para a próxima investida. Concentrado na missão e nos planos imediatos, acaba se esquecendo de que, a qualquer momento, quem está na guerra pode levar um tiro.

Isso porque, várias vezes no passado, paralisado pelo medo de levar o tal do tiro, decidiu não sair da trincheira. Preferiu ficar de guarda a sair na linha de frente. O problema é que você sabe que as campanhas mais recompensadoras são justamente as mais arriscadas.

Mas essa vidinha mais ou menos cansa. Assim, com o tempo, você foi controlando o medo e, aos poucos, saindo da linha defensiva. Até que chegou no exato momento descrito dois parágrafos atrás.

O vento está batendo na cara. Você olha para cima, respira e se sente confiante, preparado para executar a próxima missão. Uma série de coincidências começa a acontecer, mas você não percebe.

Nos testes de tiro, você está com uma precisão incrível. Nos treinamentos de equipe, a sintonia do grupo está mais forte do que nunca. As feridas dos combates passados, apesar de ainda estarem lá, não doem mais; estão cicatrizadas. A chuva, esperada para inundar o campo de batalha, não dá nem sinal. O céu está limpo.

Chega a hora. Você está, como há muito não se sentia, confortável na posição em que se encontra. Mas não porque a posição é confortável, afinal, você está no meio de uma guerra. O conforto, na verdade, vem da aceitação da situação em que você está, por pior que ela seja.

É claro que se alguém te perguntasse se você preferia estar em tempos de guerra ou paz, você não teria a menor dúvida. O ponto é: você não tem essa escolha no momento.

É como se, de uma hora para outra, um botão tivesse sido desligado dentro de você. Ontem, você criava expectativas em relação ao dia em que a guerra fosse acabar. Hoje, entretanto, pela primeira vez em meses, não pensou nisso quando acordou. Simplesmente, levantou da cama, entrou no banho e foi para o campo de batalha.

Esse seria mais um dia como os outros, não fosse o fato de que hoje, sem perceber, você luta com a naturalidade e a segurança típicas dos veteranos de guerra. Até que...

PÁÁÁ!

É, você tomou um tiro.

O tempo desacelera, a visão embaça. Seus companheiros de batalha arregalam os olhos enquanto você vai, vagarosamente, desmoronando, à medida que o sangue jorra pelo buraco feito pela bala.

Você agoniza e, segundos antes de perder a consciência, se dá conta: a felicidade atingiu você como uma bala na cabeça.

A felicidade é como um arco-íris, um eclipse, um cometa, um orgasmo. Lembra também a morte. Já vimos, já sentimos, mas, apesar de acabarmos esperando demais por ela, a verdade é que nao dá para garantir a hora em que ela vai chegar. A única certeza é de que, hora ou outra, ela virá. E irá.

Você acorda na maca do hospital. Abre os olhos devagar e se depara com o olhar calmo, mas atento do médico. Balbucia a pergunta:

- O que aconteceu?

Ele demora alguns segundos para responder. Até que abre um sorriso raso, quase piedoso:

- Você foi feliz. - Faz uma pausa. Mas sobreviveu. Você é uma pessoa de muita sorte.

O desespero toma conta. A dor da ferida, a tentativa de entender como tudo aconteceu, a insegurança de ter sido abatido. O medo de tomar um novo tiro quando precisar voltar ao campo de batalha. Porque, uma hora ou outra, você vai precisar voltar. A lembrança da bizarra plenitude que você sentiu enquanto o sangue escorria pelo seu rosto...

O ciclo recomeça. Quando você recebe alta, pede ao superior para voltar para a trincheira. E lá você ficará até perceber novamente que a verdadeira graça desta vida não está na libertadora sensação de levar um tiro na cabeça e se conformar, aliviado, que, depois de tanto sofrimento, esse foi seu fim. Mas, sim, em passar o máximo de tempo possível lutando no campo de batalha.

Um dia antes de voltar ao acampamento militar, você ouve na TV comentaristas políticos debatendo teorias sobre quando chegarão os tão sonhados tempos de paz. Não há consenso, mas a real é que, no fundo, eles não fazem a menor ideia. E nem teriam como.

O medo volta a te paralisar, mas à medida que você se reacostuma com ele, consegue perceber que algo dentro de você parece um pouco diferente em relação à última vez em que foi abatido. Algo te diz que os tempos de paz estão mais próximos do que nunca.

Você afasta a ideia. Conhece muito bem o efeito avassalador de alimentar expectativas que não vão se concretizar. Não sabe se esse sentimento é intuição ou um desejo desesperado de que o que você quer aconteça. Mas quando encosta a cabeça no travesseiro, seu último pensamento antes de pegar no sono é, de novo, examente esse.

Você sempre vai duvidar, mas a verdade é que agora a paz está, sim, mais próxima do que nunca esteve antes. Fragilizado, você não vai conseguir perceber neste momento que, mais do que uma intuição, isso é lógica. A lógica da vida.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Página em branco

Uma página em branco. É o que eu estava enxergando há alguns segundos, antes de começar a escrever este texto. É o que a gente enxerga no exato momento depois que nascemos, mas não nos recordamos mais.

Uma página em branco é o que você vê naqueles momentos em que decide se reinventar, começar do zero, assumir uma nova postura de vida. Virar a página. :) Seja por escolha sua ou não.

Aliás, se por escolha, melhor... você está assumindo o papel para o qual foi destinado: o de protagonista da própria vida. Se não, sinto muito. Deve estar sendo dolorido. Mais do que deveria.

Gosto de pensar que somos todos grandes escritores das nossas vidas. Quem escreve certo por linhas retas ou tortas não é Deus. Somos nós mesmos.

O problema é que às vezes escrevemos na pressa e a letra fica quase ilegível na hora de reler o texto. Afinal, escritor que é escritor, lê e relê várias vezes o mesmo texto.

Lemos e relemos nossa vida diversas vezes. Alguns mais vezes do que outros. Mas o fato é que estamos em um constante escreve, relê, tenta apagar... só que a tinta é permanente.

Que história você está escrevendo?

Você está contando essa história para você ou para os outros?

Quando pretende publicar o livro?

Quando vai começar um novo capítulo?

Até quando você acha que vai conseguir escrever?

Você escreve por hobby ou obrigação?