Às vezes a vida nos surpreende com a necessidade de tomar uma decisão difícil. Da primeira vez que nos deparamos com essa necessidade, nos assustamos: parece grande demais, dificil demais, doído demais. Fugimos dela.
No fundo, sabemos que não há outro caminho a seguir e, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que dar o primeiro passo em direção a ele. Mas, ainda assim, adiamos a decisão, alimentando alguma esperança de que uma luz do céu vai descer para nos poupar daquela escolha. Vamos empurrando com a barriga. Não estamos prontos ainda.
Mas a luz não desce. O tempo passa e nada acontece. Tudo o que fazemos dá errado e parece que a vida para de fluir. Apegados, estamos presos ao medo de tomar a decisão que precisamos tomar, apesar de saber que é exatamente por isso que as coisas travam. Ficamos putos, mas, na verdade, tudo isso é obra da vida, paciente, esperando nosso tempo de aprender antes de nos liberar para a próxima fase.
Tentamos ignorar a tomada de decisão, jogá-la para outras pessoas. Criativos, criamos até outras alternativas, mas quando percorremos os caminhos secundários, percebemos que eles dão no mesmo lugar de onde saímos: frente-a-frente com o caminho principal.
Sofremos, choramos e, às vezes, até nos desesperamos. Não queremos, de jeito algum, fazer aquilo. Não queremos fazer o que temos que fazer, o que precisamos fazer, apesar de estarmos sofrendo. Por um tempo, deixamos de confiar na vida e entender que, por mais que não pareça, essa é realmente a melhor coisa que podemos fazer naquele momento.
Até que chega um dia, meio despretensioso, chuvinha na janela, gente com discurso de ódio na Paulista... que merda de dia! E você, simplesmente, percebe que chegou a hora. Você está pronta para tomar a decisão que há tanto tempo vinha adiando.
E toma. E dói. E é tão horrível quanto você imaginou.
Mas, quase que instantaneamente, no meio de toda aquela tristeza, começa a surgir, lá no fundo, uma aliviadora sensação de paz. Um sentimento de que você, finalmente, fez o que precisava fazer. Viva!
Exausta, você vai dormir... mas com uma estranha sensação. É como se uma pessoa querida estivesse passando a mão na sua cabeça, orgulhosamente, te acalmando depois de um dia que ela sabe que foi muito difícil para você. E dentro de você, você escuta: "Você foi ótima, mas agora, não é mais com você. Deixa com a vida!"
Nosso coração é sábio demais. A gente devia aprender logo a confiar nele desde o começo.

Curioso sobre e decisao
ResponderExcluirFique tranquilo. A decisão em si é o que menos importa deste texto. ;)
Excluir