quarta-feira, 6 de março de 2013

A parte mais difícil de amar

Eu acho que talvez a parte mais difícil de amar é entender que cada um é responsável por si e suas escolhas. Até aí, tudo bem, viva a liberdade de expressão! Mas o foda é que isso ocorre tanto quando as escolhas  são acertadas quanto quando são erradas.

Quando a gente ama alguém, seja nosso namorado, nosso melhor amigo, mas, principalmente, alguém da nossa família, muitas vezes nós conhecemos essa pessoa tão bem, que pensamos que sabemos o que é melhor para ela. E você sabe que às vezes a gente até sabe mesmo...

...o problema é que a escolha do caminho a se seguir é uma das poucas coisas na vida que é só nossa e o outro não pode fazer pela gente. Claro que o outro interfere, opina, argumenta e até obriga... mas o passo à frente, ou atrás, quem dá é a gente mesmo. Na primeira oportunidade que tivermos.

E como é duro ver alguém que a gente ama dando passos para trás... Como é duro ver alguém que a gente ama sofrendo pelas próprias escolhas que fez. E mais duro ainda é ver que a pessoa não está enxergando que todo o mal que está passando é fruto justamente dos caminhos errados que ela tomou.

A gente não aceita isso. O amor não deixa. E é por isso que eu digo que aceitar as escolhas do outro é a parte mais difícil de amar.

Nós não temos o controle das nossas vidas e muito menos da dos outros. Bem que gostaríamos de ter, mas não temos. E quanto mais cedo entendermos isso, mas fácil, ou menos difícil, nossa passagem por este mundo será.

Acho que o mundo vive numa fase de grande questionamento de credos. Mas uma coisa eu já tenho como certa dentro de mim. Tudo o que acontece tem uma razão. Absolutamente tudo! Por mais que a gente a desconheça, ou até nunca venha a conhecê-la.

O problema é que esse "tudo" abrange as coisas felizes e as tristes, aquelas duras de aceitar. Aquelas bofetadas crueis que nos pegam desprevenidos e nos desmontam de uma hora para outra, parecendo que nunca mais vamos conseguir nos remontar.

E talvez não consigamos mesmo. Pelo menos, não da forma como éramos antes. Alguns pedaços que tiram da gente nunca poderão ser recuperados. O vazio ficará lá. Obra do amor.

Mas é aqui que entra o grande socorro às feridas de amor: o tempo. Com o tempo, a gente consegue parar, refletir, chorar... se desesperar. Protestar, sofrer, maldizer, brigar. Perder a esperança. Mas com o tempo a gente também consegue se distanciar do que aconteceu e entender melhor as coisas. Ou, pelo menos, deixar de sofrer tanto por elas.

Quem ama é capaz de fazer de tudo pela pessoa amada. E eu acho que essa é uma das maiores belezas do amor. Mas o que precisamos entender é que isso não nos torna responsáveis pelas escolhas dela.

Acho que essa é a lição de vida mais difícil de aprender. E talvez uma das mais doloridas. Mas sabe que, ironicamente, o amor, e sua plenitude, também é um dos professores nesse caso. Para o amor, não existe tempo, não existe fim, não existe morte. O amor só existe... e isso basta.

O amor é o que nos faz acordar todos os dias e seguir em frente... mesmo quando seguir em frente não parece ser a melhor opção.

Mas é... e o amor também nos dará a força necessária para isso nos dias difíceis.


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