Olho para o lado e rio. Olho para cima, vejo a lua cheia e o céu escuro e respiro fundo. Me sinto feliz. A música alta entra pelos ouvidos e bate atrás da cabeça. Balanço a cabeça, balanço os ombros e balanço o corpo para lá e para cá. Quando abro os olhos, miro, predadora, e busco o que eu quero. Não está lá.
Quando o que você busca não está lá, você se distrai com o que está. Sem sentido. Quando a vida perde o sentido e você tenta encontrá-lo de novo, diverte-se com o que não tem sentido nesse meio tempo. Pessoas sem sentido, situações sem sentido, ambientes sem sentido... às vezes, até toma ações sem sentido.
Estar em meio a um punhado de gente sem sentido faz a gente sentir vazio. Sentir vazio é bom, mas tem prazo de validade. Ser completo é plenitude, mas a plenitude pesa. Feliz daquele que equilibra momentos de vazio com momentos de plenitude.
Estou farta da falsa plenitude. Quero sentir mais vazios verdadeiros, até que eu recupere os sentidos reais. Mas até lá, vou rir alto olhando para os lados e para cima, respirando fundo, admirando a lua cheia e me sentindo feliz com a superficialidade.


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