Não tenho me sentido muito inspirada nos últimos dias. É como se a fonte tivesse secado. Não tenho tido mais inspiração nem ao chegar em casa bêbada de madrugada, desiludida com a vida, um momento naturalmente criativo e sem amarras. Parecia sério...
Mas andei pensando e talvez não seja tão sério assim. A inspiração faz parte da vida e como tudo o que existe nela, vem e vai. Para o meu desespero. Que inferno esse treco de as coisas não durarem para sempre. Tudo bem que eu fico angustiada e com taquicardia só de pensar em alguma coisa durando para sempre na vida, mas preciso assumir de uma vez por todas:
EU NÃO SEI LIDAR COM O EFÊMERO! SOU UMA PORRA DE UMA PESSOA ANSIOSA QUE NÃO TEM PACIÊNCIA PARA NADA.
Eu deveria me sentir mais leve depois de gritar isso mentalmente? Só para saber... Alguém aí por acaso sabe lidar bem com a linda ideia do Vinicius de que as coisas, as pessoas e sentimentos têm de ser eternas enquanto duram? Duvido. Duvido forte.
Converse com qualquer pessoa ao seu redor. Qualquer uma. Um amigo, familiar... com o atendente da padaria que fica bufando todo o dia que você vai passar seu cartão e coloca do lado errado porque está sempre distraída nas histórias que vai contando dentro do mundo mágico que você criou dentro da sua cabeça (sou dessas!).
Gente, tá todo mundo na bad, perdido, desiludido, ferrado, triste. Pense em uma pessoa, uma só, no seu círculo que esteja feliz. Mas feliz de verdade, cantando alto sem perceber pela rua e andando com saltinhos (também sou dessas quando me sinto feliz).
Essa tristeza generalizada, para mim, tem uma explicação: nunca tivemos tantas opções neste mundo. A gente pode tudo e pode nada. Nunca tivemos tanto poder de decisão e muito menos tanto poder de jogar tudo para o alto como temos hoje. Somos livres. E mais perdidos e confusos do que nunca.
A liberdade dói. A liberdade exige. A liberdade suga. Não ter roteiros pré-definidos é o que há de mais libertador e desesperador nesta vida cheia de possibilidades.
Às vezes fico com vontade de sentar na beira da calçada e ficar olhando o movimento, as pessoas e imaginando o que elas estão vivendo naquele momento. O que estão pensando, fazendo, imaginando. Do que estão se privando, que sentimentos estão negando, que coragem está faltando.
E aí, no fantástico mundo de Jenifer, eu chego perto delas e digo: querido/querida, fique de boa! A vida não é nada além de uma série de encontros e desencontros. Daria um sorriso maroto, viraria as costas e iria embora em paz, com a certeza de que tinha mudado o caminho daquela pessoa para sempre.

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