Sou o tipo de pessoa que trabalha com sim ou não. "Ou" exclusivo. E o problema nisso não está em só haver duas alternativas... por até haver mais. Sou boa em fazer prova. Na hora do vamo vê, tenho sangue frio para afastar o nervosismo e a ansiedade por algumas horas e pensar racionalmente em cada uma das quatro ou cinco alternativas para tentar encontrar a certa.
Assim, às vezes eu acerto, às vezes eu erro e lido bem com as duas situações. Celebro as vitórias, sofro com as derrotas, mas a vida segue. Antes de passar na USP, eu levei três nãos. Agora quero entrar no Banco Central e já levei o primeiro. Sem problemas, daqui a alguns anos, terei uma nova chance e vou estar pronta para ela. Seja sim ou um novo não a sua resposta.
Você, que está lendo este texto, deve estar me achando incrível. Forte, bem resolvida. E eu realmente seria... não fosse minha dificuldade em lidar com o "talvez". O tanto que eu lido bem em receber um "não" é diretamente proporcional ao tanto que eu lido mal em receber um "talvez". Que ironia!
Mas vamos combinar uma coisa? Que merda é essa história de "talvez", hein? Na minha cabeça, todas as coisas no mundo são muito simples: ou são, ou não são. E ponto! Escolhe, mano. E me dá a resposta logo para eu digerir ela logo e seguir em frente logo para a próxima pergunta... que virá logo. Queria aproveitar a oportunidade para mandar um beijo para a Ansiedade, minha grande companheira.
A grande merda desta vida é que, para meu desespero, ela dificilmente é preto no branco. Ela está cheia, cheia de tonalidades cinzas, de perguntas sem resposta. A vida está cheia de talvezes. Formidável!
E como é que eu lido com isso? Batendo a cabeça na parede, é claro! Eu quero morrer, matar, surtar, sumir. Gente, pra que tanta dificuldade em tomar uma decisão? Eu tenho zero dificuldade em tomar decisão. Penso por algum tempo nos prós, nos contras e pronto, está feito! Respondo se é sim ou se é não.
Se tiver sido a melhor escolha, ótimo. Se não tiver, vou me arrepender e tentar consertar. E, se eu não conseguir consertar, paciência! Não era para ser, dei o meu melhor. Beijos! Simples, não é?
Não, não é. Minha grande lição deste ano - que eu, teimosa, não me permito aprender de jeito nenhum - cada vez mais é esfregada na minha cara:
"Jenifer, minha querida, a vida não é um gabarito. As pessoas e os sentimentos são bem mais complexos do que isso. Nem sempre existe uma única resposta para uma questão. Às vezes, o certo e o errado andam juntos...
Você não está amando conhecer o taoísmo? Então, yin-yang! O mundo, sim, é dual, como você tanto gosta de enxergar. O problema é que você está meio daltônica e não consegue enxergar as misturas dessas duas cores, capazes de produzir tonalidades infinitas."
Então tá... já entendi que vou precisar revisar esse capítulo de novo. A minha sorte é que eu gosto de estudar...

Por isso que eu escolhi ser da área de Exatas. Meu "problema" é que quero usar o conceito de Exatas para tudo e foi difícil aceitar que para algumas coisas não dá para ser exato, principalmente no quesito sentimentos. Só consegui aceitar depois da Terapia, mas ainda rola umas divergências.
ResponderExcluirÉ como diz a música da Roberta Sá: "Não deixe ideia de não ou talvez/Que o talvez atrapalha"