quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tristeza, por favor só vá embora quando for a hora

Acho que quando Vinicius e Toquinho cantavam para a tristeza ir embora, eles não estavam falando pra valer. Na verdade, o compositor da música, Haroldo Lobo (muito prazer, aliás!), é quem mais deveria estar mentindo nessa história, quando escreveu esses versos curtinhos, mas que falam tanto para a gente.


Ao contrário das feridas, a tristeza é aquela dor que vem de dentro para fora. Vem devagarzinho, sem ser anunciada e de repente dá aquele pico. Vem com tudo, vem de letra, vem de uma vez. A gente explode em um lapso de tempo que não dá para ser mensurado (quanto tempo durou seu último choro?) ao ver que as coisas estão todas fora do lugar. E aí vem o desespero de pensar que, na verdade, a gente não tem a menor ideia de qual é o lugar delas.

A tristeza é a expressão máxima do cansaço, mas não do cansaço físico. O cansaço da vida. Na verdade, não exatamente da vida, mas da forma como ela tão bem nos tira o chão de uma hora para outra. Um dia você acha que tem tudo e no outro, descobre que não tem e nunca teve nada. E aí olha para cima e parece que o céu está rindo da sua cara. E talvez até esteja mesmo...

E, às vezes, a gente mesmo está rindo da nossa própria cara. Não raro quando nos sentimos tristes, ao mesmo tempo, nos sentimos ridículos. Chorar é a coisa mais ridícula que existe. Esse punhado de carne que libera sons, anda e de repente começa a soltar água pelo olho. Pensa bem: estação da Sé lotada e, de repente, todo mundo começa a chorar ao mesmo tempo (Alô, Tarantino?).

O problema é que precisamos ser ridículos. Talvez o tempo todo. A fronteira entre a sanidade e a loucura é ser ridículo. E, pensando bem, é preciso muita coragem para ser ridículo neste mundo tosco de aparências, não é não? Então, no fundo, a tristeza é necessária para que sejamos ridículos e para que não fiquemos loucos. Mas e se a gente já for? Ser louco é ruim?

Só sei que a tristeza e a loucura são sinais de estarmos vivos, de termos tido experiências e saído do conforto de dentro de nós mesmos para dar a cara para bater por aí. Mas também dar a cara para sentir o vento, para sorrir, para enxergar, para sentir, para imaginar. Para ser feliz.

Quero que você fique aqui comigo, então, tristeza. Vamos nos conhecer melhor. Vamos ser amigas. Mas já já, vê se vai embora, tá? Porque eu quero de novo cantar e tenho ainda muitas ilusões para viver... Mas saiba que a porta vai estar sempre aberta para quando você voltar.

Aliás, nem vou perder tempo em trancar. Você tem a chave.

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