segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ficção e realidade

Sou filhote da geração Harry Potter. Sim, é verdade. Fico sempre me colocando no lugar da J.K. Rowling e imaginando como é ser a criadora de um universo como esses. Onde tudo acontece conforme você imagina. Não há limites, nem julgamentos. A vida, ao menos daquelas personagens, é totalmente controlada por você.

Uma das coisas que mais me incomoda nessa coisa que é a vida é justamente a falta de controle. Toda vez que a minha vida sai do eixo (ou seja, com uma frequência relativamente elevada, afinal, defina eixo?), era como se acontecesse um curto circuito dentro de mim. Junte a isso a ideia de que eu sou um ser pensante.

Você deve estar pensando agora que todos somos, mas quando eu digo isso eu quero dizer que eu sou realmente um ser pensante. Eu penso em tudo, não desligo. Desde minhas questões existenciais, até o que eu tenho que entregar no trabalho amanhã, os objetivos que ainda não alcancei, a vida que eu quero ter e a conta de celular que vence depois de amanhã. É um fluxo sem fim, sem sossego.

Ou seja, eu sou um curto circuito constante e ambulante. Logo, chegou uma hora que eu pifei! É terrível pifar... Não recomendo para ninguém. Mas é mais terrível ainda para aquelas pessoas que não se dão o direito de pifar... Os superhomens, as supermulheres, a perfeição, o politicamente correto, aquele que dá conta de tudo.

Por bem ou por mal, todo mundo um dia vai descobrir que não dá conta de tudo (Afinal, defina dar conta, defina tudo...). E esse dia chegou para mim. Com 25 anos, eu percebi que não dei conta de tudo. Pior, que eu não dou conta de tudo... Pior ainda, que nunca vou dar... AAAAA!

Calma, respirando. Está tudo bem. Para nem eu e nem você nos jogarmos da próxima janela que virmos aberta, nós precisamos arrumar um jeito de lidar com isso nas nossas vidas. E um dos jeitos que eu arrumei foi adotar para mim uma penseira.

Os fãs de Harry Potter, como eu, já entenderam. Mas para quem não conhece esse termo, pode ficar tranquilo que é muito simples. Imagine se depois de um looongo dia de estresse, trânsito, pressão, trabalho, cobrança, saídas do eixo e descontrole você pudesse chegar em casa e esvaziar sua cabeça. Literalmente esvaziar... Tirar tudo, esquecer de tudo e... Aproveitar. Relaxar. Usar seu pouco tempo livre do dia para você. Sem preocupações, sem ansiedade...

Não seria maravilhoso? E no dia seguinte, quando tudo começasse de novo, era só pegar todos os seus pensamentos de volta. Mas apenas os que você realmente fosse usar. Todo o resto, desnecessário naquele momento, ficaria lá. Se você precisar do restante no futuro, ele estará lá... Mas o que você não precisar ficará lá. E somente lá... e não lhe fará mais mal. Essa é a fantástica ideia da penseira, criada por Alvo Dumbledore, o bruxo dos bruxos, tutor de Harry Potter.

Ficção é ficção, realidade é realidade. A grande graça que eu via em Harry Potter ficou com o término da minha adolescência. Mas trouxe para esse início de vida adulta essa ideia da penseira, que é genial. É o resumo de todas as terapias, todas as mensagens positivas, todos os livros de autoajuda.

Apresento aqui a minha penseira materializada. Espero que ela sirva como um convite para que vocês também criem as suas penseiras... Seja num blog, seja num livro, seja num ombro amigo, seja no silêncio do quarto antes de dormir...

Vamos nos esvaziar? O raciocínio é idiota, mas só assim, vamos conseguir nos encher novamente. :)

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